Governo recorre na Justiça contra retirada de Exército de morro no Rio
da Folha Online
A AGU (Advocacia Geral da União) deverá ingressar ainda hoje no Tribunal Regional Federal da 2ª Região contra a decisão da juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, que determinou a saída do Exército do morro da Providência (centro do Rio).
A decisão da juíza foi feita após a denúncia do envolvimento de 11 militares da Força Armada na morte de três jovens. Os militares foram presos na segunda-feira (16) e confessaram, segundo a polícia, que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência, no sábado (14). Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
Segundo a assessoria de imprensa da AGU, a procuradoria regional da União no Rio está elaborando o documento e ele pode ser requerido ainda hoje. Trata-se de um agravo de instrumento que tentará reverter os efeitos da liminar expedida pela juíza da 18ª Vara Federal.
O Exército permanece no morro. Os militares informaram que só devem se retirar do local após serem notificados judicialmente.
A decisão de Medeiros indicava ainda que os militares fossem substituídos por agentes da Força Nacional de Segurança.
Hoje o Ministério da Justiça informou que estuda ampliar o contingente de homens, entretanto, não forneceu uma data exata para isso ocorrer.
Investigação
O inquérito formulado pelos agentes da 4ª DP do Rio (Central) deve apontar como responsáveis pela morte dos três jovens quatro dos 11 militares do Exército.
Paralelo ao encerramento da investigação sobre a participação dos homens da Força Armada, outro inquérito já foi iniciado. Ela tem como objetivo saber quais foram os traficantes responsáveis pela morte dos jovens no morro da Mineira.
O inquérito da Polícia Civil a respeito da participação dos militares tem cerca de cem páginas. Foram ouvidas 20 pessoas. Além dos 11 homens do Exército, outros militares e também moradores prestaram esclarecimentos a respeito do caso.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.
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