Polícia indicia 11 militares e pede prisão preventiva pela morte dos 3 jovens no Rio
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online
A Polícia Civil entregou à Justiça nesta quinta-feira o pedido de prisão preventiva dos 11 militares suspeitos de participarem da morte de três moradores do morro da Providência, região central do Rio. Os suspeitos também foram indiciados por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e dificultar a defesa das vítimas.
O delegado responsável pelo inquérito, Ricardo Domingues, titular da 4ª Delegacia de Polícia (Centro) e a promotora Marcia Velasquez se reuniram hoje com o juiz Sidnei Rosa da Silva, da 3º Vara Criminal do Rio, para entregar o inquérito com o pedido de prisão.
De acordo com Domingues, em uma reunião prévia, a promotora já havia dado parecer favorável ao indiciamento e pedido de prisão.
Domingues afirmou que decidiu pelo indiciamento de todos os suspeitos porque, em seu entendimento, todos sabiam do risco de entregar os jovens aos traficantes do morro da Mineira.
O 11 militares foram presos na segunda-feira (16) após confessarem que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário. A Justiça decretou prisão temporária de dez dias para os suspeitos.
O inquérito sobre a participação dos militares tem cerca de cem páginas. Foram ouvidas 20 pessoas. Além dos 11 suspeitos, outros militares e também moradores prestaram esclarecimentos a respeito do caso.
O Exército ocupa o morro da Providência desde dezembro do ano passado, para acompanhar e dar segurança na realização do projeto Cimento Social. Ontem (18), a Justiça determinou a saída das tropas do morro. Moradores acusam os militares de agir com violência na comunidade.
Elo
Com a conclusão do inquérito que envolve os militares, Domingues trabalha agora em uma segunda investigação, que tem como objetivo identificar os traficantes que assassinaram os rapazes. Para o delegado, um dos militares, que possivelmente era o soldado José Roberto Rodrigues, serviu de elo entre o grupo de militares e os traficantes.
Para o delegado, não há dúvida de que houve um contato dos militares com os traficantes antes de os jovens serem entregues no morro da Mineira.
"Não há dúvida que houve um contato prévio. Porque se homens do Exército, armados, adentrassem o morro da Mineira de madrugada, haveria sem dúvida troca de tiros, o que não aconteceu", disse o delegado.
Mesmo com essa suspeita, a polícia não pediu a quebra de sigilo telefônico dos militares, mas, Domingues afirmou que esse procedimento pode ser feito pela Justiça. Para o delegado não houve necessidade da quebra do sigilo telefônico.
Segundo informações da 4ª DP, o Serviço de Investigação do Exército, já havia recolhido os telefones celulares dos 11 militares para apurar se houve contato prévio por telefone.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.
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