Justiça Militar decreta prisão de quatro dos 11 envolvidos em mortes no Rio
da Folha Online
A Justiça Militar no Rio decretou nesta quinta-feira a prisão preventiva de quatro dos 11 militares suspeitos de participação na morte de três moradores do morro da Providência (centro). Os quatro e outros sete militares já estão presos em um batalhão na Tijuca (zona norte), desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão temporária deles, que sairiam no próximo dia 25.
O juiz Edmundo Oliveira, auditor da Justiça Militar no Rio, acatou o pedido do Ministério Público Militar, que requisitou a prisão do tenente Vinícius Ghidetti --apontado pela polícia como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes--, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos.
Hoje, a Polícia Civil, juntamente com o Ministério Público Estadual, pediu a prisão preventiva dos 11 militares suspeitos. Eles foram indiciados por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e dificultar a defesa das vítimas.
O delegado responsável pelo inquérito, Ricardo Domingues, titular da 4ª Delegacia de Polícia (Centro) e a promotora Marcia Velasquez se reuniram hoje com o juiz Sidnei Rosa da Silva, da 3º Vara Criminal do Rio, para entregar o inquérito com o pedido de prisão.
Domingues afirmou que decidiu pelo indiciamento de todos os suspeitos porque, em seu entendimento, todos sabiam do risco de entregar os jovens aos traficantes do morro da Mineira.
O 11 militares foram presos na segunda-feira (16) após confessarem que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pelo CV (Comando Vermelho), facção rival da ADA (Amigos dos Amigos), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário. A Justiça decretou prisão temporária de dez dias para os suspeitos.
O Exército ocupa o morro da Providência desde dezembro do ano passado, para acompanhar e dar segurança na realização do projeto Cimento Social. Ontem (18), a Justiça determinou a saída das tropas do morro. Moradores acusam os militares de agir com violência na comunidade. O governo recorreu da decisão.
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