Missa em homenagem a jovens da Providência reúne 300 no Rio
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Cerca de 300 pessoas participam na manhã desta sexta-feira da missa de sétimo dia dos três jovens do morro da Providência (centro do Rio), mortos após serem entregues por militares a traficantes do morro da Mineira, rivais dos criminosos da Providência.
A missa ocorre na Vila Olímpica da Gamboa (centro esportivo da prefeitura) onde a mãe de Wellington Gonzaga Costa, 19, um dos jovens mortos, presta serviços.
Wellilngton era um dos cerca de 8.000 alunos inscritos na Vila Olímpica, segundo o gerente da vila, Noel Viegas, 73. "Ele estava aqui todo dia. É muito triste porque é o filho de uma pessoa que trabalha com a gente", disse Viegeas, nascido e criado na Providência.
Familiares, moradores do morro, alunos e professores participam da missa que é celebrada pelos padres Eduardo Beltramini e Ramon Fernandes da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio.
Professor de Wellinton em 2006, Claudinei Pereira, contou que foi a primeira vez que perdeu um aluno por causa da violência. "Ele era um menino bastante brincalhão e nunca estava de mau humor. É muito triste porque nós sempre falamos da importância do esporte na vida deles para não irem para o lado do crime".
A Justiça Militar no Rio decretou ontem (19) a prisão preventiva de quatro dos 11 militares suspeitos de participação na morte dos jovens. Os quatro e outros sete militares já estão presos em um quartel na Tijuca (zona norte) desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão temporária deles.
Crime
Os 11 militares, segundo a Polícia Civil, confessarem que entregaram os jovens a traficantes da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
O Exército ocupa a Providência desde dezembro do ano passado, para acompanhar e dar segurança na realização do projeto Cimento Social. Quarta (18), a Justiça determinou a saída das tropas do morro. Moradores acusam os militares de agir com violência na comunidade. O governo recorreu da decisão.
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