Cabral se recusa a falar sobre a presença do Exército em morro
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online
O governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), se esquivou de falar sobre o pedido dos moradores do morro da Providência, no centro do Rio, para a saída do Exército da comunidade.
Na semana passada, quando 11 militares foram presos por suspeita na participação na morte de três rapazes do morro, Cabral estava em viagem à Europa e disse à imprensa brasileira que o acompanhava que os responsáveis eram "marginais".
Nesta segunda-feira, Cabral e o presidente Lula conversaram com as mães dos rapazes mortos. Elas aproveitaram a reunião para pedir a saída das tropas da comunidade, mas não obtiveram resposta definitiva para o pedido.
Hoje, após participar de um concerto no Teatro Municipal em homenagem ao príncipe do Japão, Naruhito, que está no Rio, Cabral falou sobre o crime contra os jovens, mas se recusou a falar sobre o Exército no morro.
"Estamos em um clima de dor e perplexidade para falar de questões racionais como essa [presença das tropas no morro]. Preferi me reservar nesse momento diante de atitudes tão bárbaras e violentas para falar sobre esse assunto, que requer mais racionalidade", disse Cabral.
Na sexta-feira (20), o TRF (Tribunal Regional Federal) no Rio acatou o pedido do governo e suspendeu uma liminar da Justiça Federal que exigia a saída do Exército do morro da Providência. No entanto, a decisão vale somente até quinta-feira (26). Até lá, o governo federal terá de apresentar uma solução para o problema na comunidade.
Nesta terça-feira (24), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se reúne no Rio com o Comandante do Exército, General Enzo Peri, e com oficiais responsáveis pelas obras do projeto Cimento Social. O objetivo da reunião é continuar os estudos para a elaboração de uma proposta para a continuidade das obras a ser apresentada à Justiça até quinta.
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