Cotidiano
24/06/2008 - 16h51

Governo decide tirar Exército do morro da Providência no Rio

da Folha Online

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o Comando Militar do Leste decidiram nesta terça-feira retirar as tropas do Exército do morro da Providência, centro do Rio. A decisão foi tomada depois de o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) embargar as obras do projeto Cimento Social, que tinham execução monitorada pelos militares, além da segurança.

Onze militares que atuavam no morro são suspeitos de participação na morte de três moradores da comunidade. Eles confessaram à Polícia Civil que entregaram os rapazes para traficantes do morro da Mineira, ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rivais dos criminosos que atuam no morro da Providência, ligados ao CV (Comando Vermelho).

De acordo com o Exército, não há mais sentido em manter as tropas na comunidade se as obras estão paralisadas. Os militares já teriam deixado o morro, segundo o comando.

O Exército ocupa o morro desde dezembro de 2007, quando iniciaram as obras. A morte dos rapazes criou uma crise entre as tropas e a comunidade, que também havia decidido parar os trabalhos --realizados em mutirão pelos próprios moradores.

Supostos abusos por parte dos militares foram denunciados pela comunidade. Segundo os moradores, as tropas agiam com truculência, realizando revistas e até mesmo com a imposição do toque de recolher.

Na quarta-feira passada (18), a juíza Regina Coeli, da 18ª Vara Federal do Rio, determinou a saída do Exército do morro da Providência, acatando um pedido da Defensoria Pública da União. Um documento do próprio Comando Militar do Leste, que determinava que os militares que atuavam no morro utilizassem condutas de segurança pública no trabalho na comunidade, deu origem a ação civil elaborada pela Defensoria.

Dois dias depois da decisão da Justiça Federal, o TRF (Tribunal Regional Federal) no Rio acatou o pedido do governo e suspendeu a liminar que exigia a saída das tropas do morro, porém, somente até esta quinta-feira (26), quando o governo deveria apresentar uma solução para o problema provocado pelas tropas no morro.

Finalidade eleitoral

O juiz Fábio Uchoa decidiu embargar as obras porque considerou que o projeto tem finalidades eleitorais e beneficia o senador e pré-candidato a prefeito Marcelo Crivella (PRB).

A suspensão da obra é resultado de um processo aberto depois de uma denúncia recebida pela Justiça com um cartão que tinha a imagem do senador sobreposta a fotografias da obra na comunidade. A investigação constatou que as páginas de Crivella na internet também faziam referência expressa ao programa.

O Cimento Social foi apresentado pelo senador como projeto de lei prevendo que as casas dos moradores da Providência passem por reformas executadas por eles mesmos. Segundo a Justiça Eleitoral, antes que o projeto fosse aprovado, foi firmado um convênio entre os ministérios da Defesa e das Cidades para a realização das obras.

Comentários dos leitores
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. sem opinião
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richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 1 opinião
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Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
O nome-de-guerra do bandido é Rupinol, uma corruptela carioca da droga "Rohypnol", um sedativo hipnótico. sem opinião
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