Justiça decreta prisão preventiva de 11 militares que atuavam na Providência
da Folha Online
A Justiça Federal no Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de 11 militares acusados de terem entregado três jovens do morro da Providência (centro do Rio) a traficantes do morro da Mineira (centro). A decisão, segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, é do juiz Marcelo Granado, da 7ª Vara Federal Criminal.
O inquérito da Polícia Civil foi concluído na última quinta-feira (19). Os militares foram indiciados por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. O inquérito foi entregue ao Ministério Público, que denunciou os suspeitos à Justiça Estadual mas pediu que o caso fosse julgado pela Justiça Federal.
O argumento do Ministério Público foi o de que os denunciados são servidores públicos federais e o crime, se de fato ocorreu, se deu em período de trabalho dos militares.
Reportagem da Folha da edição desta quarta-feira mostra que o tenente Vinícius Ghidetti deu, em depoimento ao Exército, uma nova versão para a morte dos três rapazes.
Segundo o texto Ghidetti disse ter sido agredido pelos jovens e responsabilizou o sargento Leandro Maia Bueno pelo contato com traficantes. O depoimento, na sexta-feira, durou cinco horas e Ghidetti reafirmou que a intenção era dar um susto nos jovens.
Ontem o diretor de Polícia Civil do Rio, Sérgio Caldas, disse que os traficantes suspeitos de matar os jovens foram identificados.
Em depoimento a deputados estaduais integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio), o capitão do Exército Leandro Ferrari disse que sabia que um de seus subordinados, no caso o tenente Ghidetti, iria "dar uma volta com os rapazes" antes de liberá-los.
O vice-presidente da comissão, o deputado Marcelo Freixo (PSOL), se disse indignado e afirmou que cabe à Força Armada averiguar o fato. "Se isto consta no depoimento é uma conduta inaceitável. É papel do Exército apurar isso [a eventual prevaricação sugerida pelo delegado]", afirmou.
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