Casa de morador é derrubada horas antes de suspensão de obras na Providência
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online
A casa do aposentado Alberico Ferreira, 67, no morro da Providência (centro do Rio), foi posta abaixo ontem (25), horas antes da decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que embargou as obras no local, para ser reconstruída com uma estrutura mais firme.
No terreno, ficou de pé apenas o quartinho onde o aposentado dorme. O resto da família, que ocuparia a parte reformada da casa, terá agora que morar de aluguel, disse Ferreira, porque as obras foram paralisadas entre a demolição e a nova construção.
'Minha casa não existe mais. Estou sem água, porque a caixa d'água também foi demolida', contou. 'Esse negócio de parar e recomeçar as obras está prejudicando muito a gente'.
A Secretaria Municipal de Assistência Social disse que vai abrigar em hotéis os moradores das casas sem telhados ou partes deles. O secretário da pasta, Marcelo Garcia, afirmou nesta manhã que vai tentar organizar um mutirão com os moradores da Providência para tentar retomar as obras e angariar recursos com doações de empresas.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também anunciou, nesta manhã, a intenção de o governo do Rio encampar as obras. De acordo com a assessoria de imprensa do governo do Rio, Cabral vai levar a idéia ao ministro Márcio Fortes (Cidades).
'Temos a chance de encontrar uma melhor solução. Temos de fazer um esforço para que os moradores não percam estas benfeitorias e, aliás, aproveitar para fazer uma intervenção mais ampla', declarou.
Crime
A segurança das obras na Providência era mantida Exército. A presença dos soldados no morro, no entanto, gerou uma crise a ser administrada pelo governo federal após 11 militares que atuavam no local serem presos por suspeita de participação na morte de três moradores da comunidade. Eles confessaram à Polícia Civil que prenderam os rapazes e os entregaram para traficantes do morro da Mineira, ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rivais dos criminosos que atuam no morro da Providência, ligados ao CV (Comando Vermelho).
A divulgação da chacina deu visibilidade o projeto --idealizado pelo senador e pré-candidato a prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB)-- e acabou com a sua suspensão porque a Justiça Eleitoral considerou que as melhorias têm caráter eleitoral.
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