Publicidade

Cotidiano
26/06/2008 - 14h27

Vanucchi quer que militares do Rio sejam julgados por crime de tortura

Publicidade

ANA CAROLINA OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, disse nesta quinta-feira que os militares do Exército suspeitos de entregar três jovens a traficantes do morro da Mineira --rivais aos da Providência, onde eles moravam-- praticaram crime de tortura. Vanucchi participa em Brasília de um evento sobre combate a esse tipo de crime.

"Há todas as evidências de que os três jovens foram barbaramente torturados e mutilados. Nesse sentido é fundamental que o procedimento judicial leve em conta o crime de tortura que antecedeu os três homicídios e a co-autoria dos militares que levaram os três jovens para o crime organizado", afirmou. O ministro manifestou seu desejo de vê-los enquadrados na lei de tortura --com penas de dois a oito anos de prisão.

Vanucchi criticou ainda a tese da defesa dos militares segundo a qual eles só pretendiam pregar um susto nos jovens. "Não há nenhuma chance de prosperar o argumento de que ao entregar para o crime organizado, os responsáveis ou co-responsáveis queriam apenas pregar um susto. Eles sabiam muitos bem, pois já estavam ali no morro há meses. No crime organizado ninguém é anjo. São criminosos capazes de violências como essas", disse.

Crise

No último dia 14, três jovens do morro da Providência foram entregues a traficantes do morro do Mineira --rivais aos da Providência-- por um grupo de militares do Exército que ocupava a comunidade para fazer a segurança das obras. O projeto é fruto de um convênio entre os ministérios das Cidades e da Defesa a partir de uma emenda apresentada por Crivella.

Os jovens haviam sido detidos no alto do morro pelos militares e levados ao quartel próximo à Providência. O capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem libertados, mas o tenente Vinícius Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário.

Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime. O caso abriu uma crise na presença do Exército na comunidade. Na semana passada, a Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro. O governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. Na terça-feira (24), porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.

Traficantes do morro da Mineira suspeitos de terem matado os três jovens ainda não foram presos. Os 11 militares foram indiciados por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas-- e tiveram a prisão preventiva decretada.

Nesta manhã, policiais militares pediram a operários do projeto Cimento Social, na Providência, apagar inscrições da sigla CV (Comando Vermelho, facção criminosa que controla o tráfico na Providência) que foram pichadas em muros de casas atendidas pelo projeto. As obras no local foram retomadas nesta manhã.

Leia mais

Livraria da Folha

Especial

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
avalie fechar
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
avalie fechar
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (432)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca