Relatora de projeto que criminaliza homofobia se dispõe a ouvir opiniões contrárias
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A relatora do projeto que criminaliza a homofobia (discriminação contra homossexuais), senadora Fátima Cleide (PT-RO), disse nesta quinta-feira que se dispõe a receber todos os segmentos religiosos e movimentos contrários à proposta que tramita no Senado. Favorável ao fim dos tratamentos preconceituosos, a petista afirmou que, apesar da sua posição, respeita quem pensa de forma diferente.
A reação da senadora ocorre no dia seguinte à manifestação que reuniu cerca de mil evangélicos em frente ao Congresso na tarde de ontem (25). Os manifestantes foram ao Congresso para apelo pelo direito de criticar a homossexualidade, sem punições estabelecidas na legislação.
"Sou favorável ao diálogo. A manifestação é legítima. Em momento algum eu critiquei a ação dos manifestantes. Mas sou também contrária a qualquer tipo de discriminação seja qual for a motivação", afirmou a senadora.
"Devemos trabalhar para garantir o respeito aos direitos individuais. A pessoa não pode ser discriminada por causa da sua orientação sexual, na minha opinião."
O projeto está em discussão na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado. Segundo a relatora, não há previsão de votação. Os senadores Magno Malta (PR-ES) e Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligados a igrejas evangélicas, apresentaram votos em separado (alternativos ao relatório de Fátima Cleide).
Após o protesto ontem em frente ao Congresso, alguns manifestantes conseguiram ingressar no Senado e foram recebidos na presidência pelo senador Magno Malta (PR-ES) --que ocupava interinamente na presidência pois o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) estava fora de Brasília. O projeto que está no Senado já foi aprovado na Câmara. De autoria da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP), a proposta define como crime o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.
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