Blitz da lei seca prende 5 e multa mais 5 no centro de SP
KLEBER TOMAZ
da Folha de S.Paulo
JORGE SOUFEN JR.
do Agora
Pelo menos cinco homens foram presos e multados e outros cinco acabaram apenas autuados pela Polícia Militar, entre a noite de ontem até 1h de hoje, durante blitz para fiscalizar a aplicação da nova lei de trânsito que tornou ilegal dirigir após consumir álcool.
Todos os detidos e autuados foram acusados de dirigir sob o efeito de bebida alcoólica -na maioria dos casos, detectada por meio de bafômetro. A diferença entre o grupo que foi preso e o que foi apenas multado é que o primeiro irá responder pelo crime de embriaguez ao volante e o segundo por infração de trânsito.
A fiscalização montada em oito pontos do centro da cidade (ruas Mauá, dos Andradas, Timbiras, 13 de Maio e Caio Prado, na avenida São João, Praça da República, e na alameda Barão de Limeira) começou às 20h30 de ontem e se estenderia até as 3h de hoje.
Foi a segunda vez que a Operação Direção Segura foi organizada na cidade desde a entrada em vigor da nova lei que prevê multa de R$ 955, apreensão do veículo e suspensão por um ano do direito de dirigir a partir de 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro (ou 2 dg de álcool por litro de sangue). Acima de 0,3 mg/l de álcool no ar expelido (ou 6 dg por litro de sangue), a punição inclui ainda detenção (de seis meses a três anos).
Segundo o tenente Sergio Marques, do 34º Batalhão de Trânsito da Polícia Militar e comandante da operação, todos os detidos foram encaminhados a distritos policiais próximos e, possivelmente, seriam liberados após pagar fiança que varia de R$ 300 a R$ 1.500.
Foi o que aconteceu com Armando Antonio dos Santos, 33, vendedor de espetinho de churrasco, preso pela PM após o bafômetro indicar 0,4 mg de álcool. Santos teve seu Kadet prata parado na rua Mauá.
"Eu tenho habilitação há oito anos, nunca me envolvi em acidente. Só bebi [duas garrafas de cerveja] ao meio-dia. A lei é para quem tem motorista particular. Quero saber para quem é pobre. Como vai pagar um táxi?", questionou o camelô no 3º DP, em Santa Ifigênia.
A delegada Denise Orlandini do Prado, do 3º DP, afirmou que o vendedor passaria por exame de sangue no IML (Instituto Médico Legal) e depois seria liberado. "O bafômetro não mede a quantidade de álcool por litro de sangue, só o álcool por litro de ar expirado. Vou aguardar o resultado do exame no IML para saber se ele estava mesmo embriagado."
Ainda na rua Mauá, um homem não conseguiu assoprar o bafômetro por seis segundos ininterruptos -tempo necessário para o aparelho agir- e mesmo assim foi multado em R$ 955 porque a PM considerou que ele estava embriagado. Levado ao DP mais perto, seria submetido a exame de sangue.
Os outros quatro flagrados pela PM registraram índices entre 0,1 mg/l e 0,29 mg/l. Eles estão sujeitos às mesmas penalidades anteriores, menos detenção. A blitz mobilizou cerca de 130 policiais militares e dura até domingo.
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