Professores encerram manifestação e mantêm greve até próxima 6ª feira
DEH OLIVEIRA
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
Terminou por volta das 18h20 desta sexta-feira a manifestação dos professores da rede estadual de ensino. Os docentes, que estão de braços cruzados desde o último dia 16, decidiram em assembléia pela continuidade da paralisação até pelo menos a próxima sexta-feira (4), quando novamente acontecerá uma reunião da categoria no vão do Masp.
O protesto seguiu da avenida Paulista até a praça da República, no centro. Os professores chegaram a ocupar as duas pistas da avenida, prejudicando o trânsito. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 2,5 km de lentidão na via. A Paulista tem cerca de 2,7 km.
| Raimundo Paccó/Folha Imagem |
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| Professores da rede estadual decidem manter greve e fazem passeata em SP |
Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), 60 mil pessoas participaram da manifestação. A PM (Polícia Militar) afirma que o número de manifestantes era bem menor: aproximadamente 8.000.
Em seguida a manifestação desceu a rua da Consolação. Em todo o trajeto, líderes sindicais discursavam do alto de um carro de som e criticavam o governo. Uma das maiores reclamações foi a ausência de representantes da Secretaria da Educação em uma audiência de mediação agendada pelo Ministério do Trabalho.
Os professores também chamaram o governo de "mentiroso", devido ao anúncio de reajuste de até 12% no salário base. A categoria reiterou que o aumento real proposto foi menos.
A caminhada pela Consolação também provocou congestionamento. Segundo a CET, 1,8 km da via ficou paralisada.
No início da noite, a manifestação chegou à praça da República, onde fica a sede da Secretaria de Estado da Educação. Lá, após discurso do presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, a manifestação foi encerrada.
Greve
Entre as reivindicações da categoria está a revogação de um decreto governamental que trata do sistema de contratação e substituição de professores. Além disso, os professores querem também o aumento real de 35% do salário --para cobrir perdas salariais dos últimos dez anos-- e o fim da política de bonificação, que são valores acrescentados ao salário mensalmente. Os professores querem que esses bônus sejam incorporados ao salário nominal, e então se aplique o reajuste.
Para o sindicato, os bônus, como não fazem parte do salário, prejudicam a categoria, por exemplo, no momento da aposentadoria, pois as gratificações são pagas somente para quem está na ativa.
Outro lado
A Secretaria da Educação afirmou, por meio de sua assessoria, que não enviou representantes à audiência com o sindicato dos professores porque não tem poder para negociar aumento salarial.
A assessoria acrescentou que a secretaria já recebeu o sindicato mais de cinco vezes e que fez várias concessões aos professores, como os ajustes ao decreto governamental que trata do sistema de contratação e substituição de professores.
Em nota divulgada após a manifestação, a secretaria lamenta "que a Apeoesp insista em uma proposta que não obteve o apoio da ampla maioria dos cerca de 250 mil professores da rede estadual."
O sindicato afirma que mais de 80% das escolas estaduais aderiram à paralisação. O governo, porém, rebate o número e diz que menos de 2% da categoria está de braços cruzados.
A nota acrescenta que liberou todas as escolas estaduais para a chamada de professores eventuais, "que cobrem faltas diárias de professores concursados e temporários". A medida, segundo a secretaria, "pretende garantir que os cerca de 5 milhões de estudantes da rede tenham garantido o direito à educação."
Por fim, a nota diz que o protesto dos professores é infundado, pois o decreto traz "uma mudança que visa apenas a melhorar as condições de ensino". Segundo levantamento do governo, somente em 2008 cerca de 40% dos 130 mil professores efetivos trocaram de escolas.
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