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Cotidiano
29/06/2008 - 13h15

Presidente da Santa Casa de Belém entrega o cargo

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Colaboração para a Folha Online

O presidente da Santa Casa da Misericórdia de Belém, Antônio Anselmo Bentes de Oliveira, entregou o cargo junto a toda diretoria no início da noite de sábado (28). Vinte recém-nascidos morreram no local entre o dia 20 e hoje.

O governo do Pará decidiu que o cargo será provisoriamente ocupado pela médica Silvia Comaru, responsável pela coordenação da comissão multiprofissional encarregada de investigar as causas das mortes dos bebês.

De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Pará, Oliveira estaria inclinado a deixar o cargo desde o início da ocorrência das mortes dos bebês. Ontem, com o anúncio da equipe de investigação, ele teria tomado a decisão final.

A equipe multiprofissional, formada por cinco médicos e cinco engenheiros, foi criada pela Secretaria de Saúde para fazer um levantamento sobre as condições físicas e operacionais da Santa Casa de Misericórdia de Belém.

Silvia Comaru além de comandar a equipe de investigação, é coordenadora da Câmara Técnica de Políticas Sociais do governo do Pará e ocupa agora o cargo de presidente da Santa Casa.

Mortes

Entre os dias 20 e 27 de junho, 20 recém-nascidos morreram na Santa Casa da Misericórdia de Belém. Os óbitos foram confirmados pelo governo, que os atribuiu a uma concentração incomum de casos graves, como bebês prematuros e portadores de doenças congênitas.

As crianças estavam na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal da instituição, administrada pelo governo estadual. Entre as causas das mortes, segundo o hospital, estavam septicemia (causada por infecção bacteriana) e anóxia (falta de oxigênio no cérebro).

Em nota, a direção do hospital negou a hipótese de erros médicos ou problemas de estrutura na unidade. A nota informava ainda que o número de óbitos estava de acordo com a taxa aceita pela OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 50% do total de leitos da unidade.

O hospital também alega o fato de que grande parte das gestantes internadas no local são menores de idade (casos que seriam de maior risco) e de que há pacientes do interior que vão fazer o parto sem terem feito acompanhamento pré-natal.

O Sindicato dos Médicos de Belém denunciou as mortes. A entidade diz que a Santa Casa sofre de problemas crônicos, como superlotação e falta de infra-estrutura.

O promotor Ernestino Roosevelt, do Ministério Público do Pará, deu prazo até a próxima segunda-feira (30) para que a Santa Casa apresente laudo sobre cada um dos óbitos.

 

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