PM impede passagem de caminhões na marginal Tietê; sindicalistas deitam na pista
ÉBANO PIACENTINI
Colaboração para a Folha Online
Texto atualizado às 16h22
A Polícia Militar realiza um bloqueio para impedir que cerca de cem caminhoneiros que estão na marginal Tietê, próximos à ponte da Vila Guilherme, acessem a região central de São Paulo, na tarde desta segunda-feira. Alguns integrantes do Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo chegaram a deitar na pista local em protesto, mas foram retirados pela Polícia Militar, segundo os próprios sindicalistas.
Os caminhões ocupavam duas faixas da pista local. Cerca de 50 motoristas foram para a pista expressa e tentaram fechá-la. Alguns deles sentaram na via e foram retirados pela PM, que chegou a usar gás pimenta. "A polícia agiu com violência desnecessária, abuso de autoridade. Vamos entrar com uma representação contra eles", disse o sindicalista Almir Macedo Pereira, atingido nas costas por golpes de cassetete.
O major Ricardo Fernandes justificou a ação: "Não dá para um benefício particular prejudicar o público. Tivemos que agir, mas apenas com a força necessária", disse.
Os caminhoneiros realizam uma manifestação contra as novas medidas de restrição ao tráfego de caminhões impostas pela prefeitura.
A intenção da nova restrição veicular, segundo a prefeitura, é provocar a retirada de cerca de 100 mil dos 210 mil caminhões que rodam na área central --uma melhoria de 14% a 17% no trânsito.
Ao menos 200 caminhões participam da manifestação, segundo estimativas da Polícia Militar. Além da marginal, um outro grupo trafega pela avenida dos Bandeirantes para encontrar os demais. A faixa da esquerda da marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco, está interditada. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) recomenda evitar a região.
Segundo o vice-presidente do sindicato, Jorge Aparecido de Melo, o grupo interditou parte das faixas da pista local e expressa. Ele afirma que integrantes do sindicato, inclusive o presidente, Almir Macedo, foram atingidos por golpes de cassetetes de policiais militares. Procurada, a Polícia Militar nega confrontos e informou que a situação está tranqüila.
Protesto
Em protesto, os caminhoneiros devem circular em vias da ZMRC (Zona Máxima de Restrições a Caminhões), interna ao centro expandido, e ir até centro da cidade, no viaduto do Chá, sede da prefeitura. No local, pretendem ser recebidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), autor da proposta e candidato nas eleições deste ano.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Transportes, em duas horas de fiscalização, 16 multas foram aplicadas por desrespeito às novas regras para caminhões na cidade.
As novas medidas entraram em vigor às 5h. Entre elas está a nova delimitação da Zona Máxima de Restrições a Caminhões. Com a medida, os caminhões de médio e grande portes estão proibidos de circular na área --de 100 km quadrados interna ao centro expandido-- das 5h às 21h, de segunda a sexta-feira, e das 10h às 14h aos sábados.
Segundo Macedo, os caminhoneiros querem que Kassab reverta os decretos.
"Se recebermos multa vamos recorrer. É um direito constitucional.Se estas medidas prevalecerem, irão provocar impactos na segurança, e provocar desabastecimento e desemprego", afirma Macedo.
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