Procuradoria denuncia 11 militares por homicídio; acusados podem ser levados ao júri
da Folha Online
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro denunciou à Justiça os 11 militares do Exército por três crimes de homicídio triplamente qualificado contra três moradores do morro da Providência, região central da cidade, no dia 14 de junho. Eles são acusados de entregar Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, a traficantes do morro da Mineira, rivais aos criminosos que controlam o morro da Providência. Os militares podem ser julgados pelo Tribunal Federal do Júri popular.
De acordo com a denúncia, os três rapazes foram torturados e assassinados com 46 tiros.
A denúncia, feita pelos procuradores da República Patrícia Núñez Weber, Neide Cardoso de Oliveira, José Augusto Vagos e Fábio Seghese, foi protocolada na 7ª Vara Federal Criminal. Com o recebimento da denúncia, os interrogatórios dos acusados serão marcados para os próximos dias, já que todos estão presos preventivamente.
A Procuradoria acusou cada militar pelos crimes de homicídio triplamente qualificados, pois foram cometidos cruelmente, sem possibilidade de defesa pelas vítimas e por motivo torpe. A pena para cada réu varia de 12 a 30 anos.
A denúncia partiu de investigações da Polícia Civil, em inquérito remetido na semana passada pela Justiça Estadual à Justiça Federal. Além de ratificarem o pedido de prisão preventiva dos 11 denunciados, os procuradores pediram à 7ª Vara que requisitasse ao Ministério Público Militar uma cópia do inquérito militar que também apura os crimes militares cometidos.
Os acusados vigiavam o morro da Providência durante as reformas de casas no projeto federal Cimento Social. Comandados pelo tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, os réus levaram as três vítimas num caminhão do Exército ao morro da Mineira. Segundo a denúncia, todos os réus sabiam que os jovens seriam mortos.
O Ministério Público Federal pediu ao juiz Marcelo Granado, da 7ª Vara, a quebra dos sigilos telefônicos dos denunciados, para apurar se houve contato prévio entre os militares e os traficantes do morro da Mineira. Isso porque, segundo a denúncia, os 11 militares entraram em zona hostil de forma amistosa, tendo conversado tranqüilamente com um integrante da facção antes de entregarem as vítimas.
"Demonstramos na denúncia a variada participação de cada um dos denunciados na barbárie cometida. Nosso objetivo é que, através do processo penal, consigamos a responsabilização dos denunciados na exata medida de suas culpabilidades, a fim de que a flagrante ofensa cometida aos direitos humanos não fique impune", afirma a procuradora Patrícia Núñez.
Os denunciados são Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, Leandro Maia Bueno, José Ricardo Rodrigues de Araújo, Renato de Oliveira Alves, Samuel de Souza de Oliveira, Eduardo Pereira de Oliveira, Bruno Eduardo de Fátima, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi dos Santos, Julio Almeida Ré e Rafael Cunha da Costa Sá.
Leia mais
- Milícias estendem campo de ação a bairros ricos do Rio, diz "El País"
- PM é preso acusado de matar estudante em porta de boate no RJ
- Menino de 6 anos atingido por bala perdida morre em hospital do Rio
- Polícia prende seis suspeitos de receptação de motos e peças em São Paulo
- Tenente que entregou jovens a traficantes se contradiz, diz Promotoria
Livraria da Folha
- Saiba como a organização criminosa Comando Vermelho tomou conta dos morros do Rio
- Livro mostra como se tornar advogado, escolher carreira e conseguir primeiro emprego
- Histórias reais e chocantes da polícia deram origem a "Elite da Tropa"
- Criminalista mostra por que as prisões brasileiras falham; leia capítulo
- Entenda como funciona o narcotráfico, do varejo na periferia às multinacionais; leia capítulo
- Livro indica números da violência no Brasil e aponta soluções
Especial



avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar