PM e CET frustram protesto de caminhoneiros em São Paulo
ÉBANO PIACENTINI
Colaboração para a Folha Online
Texto atualizado às 20h25
O protesto dos caminhoneiros contra a lei que restringe o tráfego de caminhões em São Paulo foi frustrado pela ação planejada pela Polícia Militar e pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que visou minimizar os problemas no trânsito.
A manifestação causou congestionamento nas marginais nesta segunda-feira no meio da tarde, quando os caminhões que participavam do protesto ocupavam parcialmente as pistas locais. Às 19h55, a Tietê tinha 7,7 km de lentidão, e a Pinheiros, 7,2 km. Neste horário, 79 km, ou 9,5% das vias monitoradas pela CET estavam congestionadas.
A PM barrou as três frentes que partiram da Dutra, da zona leste e zona sul, e que se encontrariam no centro, próximo à prefeitura da cidade. Ao menos 200 caminhões participaram da manifestação, segundo estimativas da Polícia Militar.
| Rubens Cavallari/Folha Imagem |
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| Agente da CET orienta motoristas na marginal; protesto causou congestionamento |
Na marginal Tietê e na Pinheiros, os manifestantes bloquearam as pistas local e expressa. Na Tietê, altura da ponte Vila Guilherme, a PM liberou a pista expressa usando a força e gás pimenta.
Alguns sindicalistas ficaram feridos. O presidente do Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias, Almir Macedo, disse à Folha Online que sentiu "fortes dores no fígado em função de uma borrachada" que levou, e abandonou o protesto para ser socorrido.
Os manifestantes que vinham da Zona Leste, segundo um motorista de caminhão que não quis se identificar, também entraram em confronto com a polícia, resultando em alguns protestantes feridos. Na Pinheiros, a via foi liberada sem confronto.
Os caminhões que participavam do protesto foram desviados para as imediações do centro de convenções Anhembi (próximo à marginal Tietê), onde realizaram uma assembléia para decidir os rumos do seu movimento. Eles prometem novas manifestações --que podem acontecer ainda esta semana-- até que consigam uma reunião com representantes da prefeitura de São Paulo.
Alguns deles afirmaram que após o protesto, haviam conseguido um de seus objetivos, que era dialogar com o prefeito Gilberto Kassab sobre a nova lei de restrição veicular. Os sindicalistas responsabilizam o prefeito pela precipitação em decretar a lei sem pensar em seus efeitos "globais".
A prefeitura informou por meio de sua assessoria de imprensa que não há nenhuma negociação em curso por enquanto.
Protesto
Os sindicatos de condutores, comerciários, lojistas, padeiros e outros estiveram presentes ao protesto. Os sindicalistas afirmam que a nova lei irá causar prejuízos aos trabalhadores de transporte, às empresas e também a obras e lojas, pois ficará mais difícil abastecer a cidade.
Entidades ligadas ao varejo reuniram-se na manhã desta segunda-feira na sede da Apas (Associação Paulista de Supermercados) divulgaram uma nota em que alertam para riscos de desabastecimento na cidade.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| Caminhoneiros bloqueiam a marginal Tiete em protesto contra as restrições do veículos no centro expandido de São Paulo |
"Haverá aumento significativo dos custos da cadeia do abastecimento e amplia-se a possibilidade de desabastecimento, em face da redução de mais de 60% do tempo disponível para descarga", diz a nota.
A nota dos varejistas diz que eles "estão se ajustando aos horários noturnos estabelecidos pelo decreto", mas que ele "conflita com a Lei do Silêncio/Psiu, uma vez que as entregas só poderão ocorrer no intervalo das 21h às 5h, e o governo municipal até o momento não apresentou alternativa" para as entregas.
Entre as entidades que assinam a nota estão a Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) e a Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos).
Sindicalistas
Segundo Jorge aparecido de Melo, vice-presidente do Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo, a prefeitura se precipitou ao decretar a nova lei de restrições ao tráfego de caminhões. Para Melo, ela deveria ter se reunido com todos os setores envolvidos antes de formular a lei.
"Faltou chamar os sindicatos. Cadê o Rodoanel? O Rodoanel pronto reduziria em 40% a circulação de caminhões. Isso é mais que o dobro dos 17% previstos na nova lei de restrições".
Mello afirmou que muitos motoristas que trabalham com cargas perderão seus empregos, pois as empresas irão demitir funcionários para compensar os custos com adicional noturno e outras despesas extras. Ele também falou da situação dos transportadores autônomos.
"Com as normas da lei, os trabalhadores irão fazer menos viagens por dia de trabalho, e não vão conseguir pagar as prestações do caminhão, que é de R$ 2000 a 6000 por mês. Eles vão vender seus caminhões e ficarão desempregados".
A intenção da nova restrição veicular, segundo a prefeitura, é provocar a retirada de cerca de 100 mil dos 210 mil caminhões que rodam na área central --uma melhoria de 14% a 17% no trânsito.
As novas medidas entraram em vigor às 5h. Entre elas está a nova delimitação da Zona Máxima de Restrições a Caminhões. Com a medida, os caminhões de médio e grande portes estão proibidos de circular na área --de 100 km quadrados interna ao centro expandido-- das 5h às 21h, de segunda a sexta-feira, e das 10h às 14h aos sábados.
Balanço
| Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem |
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| Fiscal da CET multa caminhão no primeiro dia de restrições a veículos no centro expandido de São Paulo |
A CET divulgou um balanço do impacto da nova lei no trânsito, em que afirma que a restrição a caminhões reduziu a lentidão média nos 835 km de vias monitoradas em cerca de 40% entre as 7h30 e 15hs desta segunda-feira.
Às 12h30 foi registrada a maior queda, de 62,81%. Já o pico foi registrado às 9h30, de 29,96%, com 53 km de lentidão contra uma média de 76 km registrada nas segundas-feiras de julho de 2007. Comparando com a média de junho deste ano, o índice de hoje apresentou variação para menor de 33,7% e de 45,3% se relacionado a maio de 2008.
A partir das 12h30, por conta da manifestação de caminhoneiros nas marginais Tietê e Pinheiros, os índices de lentidão começaram a subir. Mesmo assim, ficaram mais baixos do que os registrados no ano passado, segundo a CET.
O balanço da fiscalização de caminhões na nova zona de restrição de circulação das 5 às 15 horas resultou em 891 autos de infração, sendo 795 executados pelos 501 agentes da CET e 96 pela Polícia Militar. Ainda em operação conjunta com a PM três caminhões que apresentaram irregularidades foram guinchados.
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