Jobim diz que pensão às famílias de jovens mortos em morro é "solução razoável"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O governo federal pretende estabelecer o pagamento de pensão às famílias dos três jovens mortos no morro da Providência, região central do Rio, após serem entregues por militares a uma facção de traficantes. O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse nesta terça-feira que a "solução mais razoável" para o caso é o pagamento de pensão às famílias das vítimas.
"Estamos trabalhando um projeto no Ministério da Defesa e mandando para o presidente da República decidir esse tema. Tenho que conversar ainda com o ministro do Planejamento [Paulo Bernardo], vamos definir na semana que vem", afirmou Jobim.
O ministro disse que a iniciativa não é inédita ao lembrar que, em 1996, o governo federal também pagou pensão a familiares de presos da Polícia Federal que acabaram mortos. "Eu era ministro [da Justiça] na época, por coincidência, e fiz o projeto", afirmou.
Jobim disse que vai manter as tropas do Exército afastadas do morro da Providência uma vez que a Justiça suspendeu as obras do programa "Cimento Social", no qual os militares trabalhavam. "Enquanto não se decide, vamos aguardar. Paralisadas as obras, as tropas foram retiradas", afirmou.
Denúncia
A Justiça Federal do Rio aceitou nesta segunda-feira (30) denúncia contra os 11 militares acusados de entregar os três jovens do morro da Providência a traficantes do morro da Mineira. Ainda esta semana, os militares terão que depor à Justiça sobre o caso.
Os 11 militares faziam parte da tropa do Exército que ocupava o morro da Providência para fazer segurança das obras do projeto Cimento Social, do governo federal. Eles foram presos no último dia 15 e, segundo a polícia, confessaram ter levado, no dia anterior, três jovens detidos no alto da favela a traficantes do morro da Mineira, rivais aos da Providência.
O juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcello Granado, aceitou a denúncia feita na tarde de ontem pelo Ministério Público Federal do Rio contra os 11 militares por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas-- contra os jovens da Providência. Eles já tiveram prisão preventiva decretada.
Na denúncia, o Ministério Público Federal pediu ainda a Granado a quebra dos sigilos telefônicos dos denunciados, para apurar se houve contato entre os militares e os traficantes do morro da Mineira antes da entrega dos três jovens. Isso porque, segundo a denúncia, os 11 militares entraram em zona hostil de forma amistosa, tendo conversado tranqüilamente com um integrante da facção antes de entregarem as vítimas.
A Justiça Federal não informou se o juiz Marcello Granado vai acatar o pedido. A íntegra da decisão do juiz ainda não foi divulgada.
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