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Cotidiano
02/07/2008 - 10h35

Caminhoneiros tentam reverter restrições em SP; comércio prevê reajustes de até 10%

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da Folha Online
da Folha de S.Paulo

Em reunião que será realizada no final da tarde desta quarta-feira na Secretaria Municipal de Transportes, os representantes dos caminhoneiros pretendem reverter parte das novas normas para o tráfego de caminhões na cidade de São Paulo, em vigor desde segunda-feira (30).

No mesmo dia, os caminhoneiros realizaram um protesto que provocou reflexos na marginais Tietê e Pinheiros. No primeiro dia de fiscalização das novas normas, agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e policiais militares aplicaram um total de 1.163 multas por desrespeito à restrição imposta pela prefeitura. Até as 10h30 de hoje, a prefeitura não havia divulgado o total de multas aplicado na terça-feira.

Aumento

O comércio já estima em 5% a 10% o aumento nos preços de produtos por conta da nova lei que restringe a circulação de caminhões.

"A dificuldade para entregar as mercadorias somada ao aumento de custos do frete, da mão-de-obra e dos estoques vai certamente afetar o preço final do produto", diz Roberto Mateus Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Um dos setores mais afetados é o de distribuição de material de construção. A Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) prevê que só o custo do frete aumente 200%.

Reunião

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias, Almir Macedo, uma eventual alta nos preços aos consumidores será um dos principais argumentos a serem utilizados na reunião para tentar reverter as medidas. Outro argumento é o fato de que a mudança no horário de entregas poderá interferir nas normas do Psiu (Programa de Silêncio Urbano), da própria prefeitura, criado para combater a poluição sonora.

A assessoria de imprensa das secretaria municipal de Transportes, por sua vez, se restringiu a dizer que técnicos apenas "ouvirão" sugestões a respeito de excepcionalidades do decreto que determinou as restrições.

A nova lei também deverá afetar a segurança urbana, segundo o major Walmir Martini, comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar. Ele diz acreditar que as novas medidas para o tráfego de caminhões mudará o modo de agir de quadrilhas de roubo de cargas.

Restrição

As novas medidas entraram em vigor às 5h de segunda-feira. Entre elas está a nova delimitação da ZMRC (Zona Máxima de Restrições a Caminhões). Com a medida, os caminhões de médio e grande portes estão proibidos de circular na área --de 100 km quadrados interna ao centro expandido-- das 5h às 21h, de segunda a sexta-feira, e das 10h às 14h aos sábados. Fora deste perímetro a circulação é permitida.

A intenção da nova restrição veicular, segundo a prefeitura, é provocar a retirada de cerca de 100 mil dos 210 mil caminhões que rodam na área central --uma melhoria de 14% a 17% no trânsito.

O esquema de fiscalização conta com agentes da CET, da Secretaria Municipal de Transportes e da Polícia Militar. Segundo a CET, 500 agentes atuam em 16 áreas distintas.

Foram dispostas 1.450 placas de sinalização para divulgar a nova ZMRC. Segundo a CET 16 guinchos foram disponibilizados apenas para atender os casos dos caminhões.

 

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