Cotidiano
02/07/2008 - 11h12

Testemunhas de defesa do caso Isabella começam a depor nesta quarta

da Folha Online

Começam na tarde desta quarta-feira, no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, os 30 depoimentos das testemunhas de defesa do caso Isabella Nardoni, morta no dia 29 de março. A garota foi jogada pela janela do sexto andar do edifício London, na Vila Mazzei (zona norte de SP), do apartamento de seu pai, Alexandre Nardoni.

Ele e sua mulher, Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, foram denunciados pelo crime e cumprem prisão preventiva. Os dois permanecem detidos em penitenciárias de Tremembé (147 km de São Paulo) acusados da morte de Isabella. Eles negam o crime.

A pedido da defesa o casal não irá comparecer aos depoimentos.

As testemunhas de defesa serão ouvidas pelo juiz Maurício Fossen. Elas foram arroladas pelo advogado de defesa, Marco Polo Levorin, e dois advogados assistentes dele, Ricardo Martins e Rogério Neres de Sousa. O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela denúncia e pelo pedido de prisão preventiva, também irá acompanhar. Os depoimentos devem terminar só amanhã.

Além das 30 testemunhas que devem ser ouvidas no Fórum de Santana, outras duas serão ouvidas por carta precatória. Tratam-se da perita criminal Delma Gama e Narici, que será ouvida em Salvador (BA), e o legista George Sanguinetti, que deverá ser ouvido em Maceió (AL). Os dois foram contratados pela defesa para realizar uma vistoria no apartamento de Nardoni.

Defesa

Levorin afirmou que as testemunhas de defesa que começam a ser ouvidas hoje podem contribuir para elucidar dois pontos importantes; o que ele considera vulnerabilidade do edifício London e a relação do casal entre si e no trato com os filhos.

"Consideramos que se trata de uma oportunidade para provar a inocência deles [casal]", segundo o advogado.

Reconstituição

O laudo da reconstituição da morte de Isabella elaborado pelos peritos do Instituto de Criminalística da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo confirma que as agressões à garota começaram dentro do carro do pai, Alexandre.

O laudo aponta que a madrasta desferiu o primeiro golpe contra a cabeça de Isabella. O golpe foi dado de forma acidental, quando Jatobá, que estava no banco dianteiro do carona, se virou e atingiu Isabella.

A cena consta da animação gráfica com duração de cerca de sete minutos produzida pelo IC. A animação foi produzida a partir de vídeos feitos na reconstituição do crime realizada no dia 27 de abril, fotos do laudo inicial nas dependências do apartamento e informações do exame necroscópico.

O laudo elaborado pelos peritos do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do IC descarta a hipótese de uma terceira pessoa envolvida no crime e apontam que Jatobá auxiliou Nardoni a jogar Isabella do sexto andar do prédio.

A conclusão é baseada na convicção dos peritos de que Isabella pesava 25 kg e que Nardoni se desequilibrou no trajeto até a janela. Outro ponto defendido pelos técnicos é que o sangue na testa foi limpo antes de a garota ser jogada, o que leva a conclusão por parte dos peritos de que seria impossível Nardoni ter segurado a garota e limpado ele mesmo o sangue na testa de Isabella, antes dela ser lançada.

 

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