Preso por tentativa de seqüestro em SP, Rafael Ilha deve ser encaminhado a CDP
Colaboração para a Folha Online
Preso na noite de terça-feira (1º) sob acusação de tentativa de seqüestro, Rafael Ilha, ex-vocalista do grupo Polegar, deve ser encaminhado ainda nesta quarta-feira ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Ilha, que atualmente é dono de uma clínica de tratamento para viciados em drogas, nega o crime.
O ex-Polegar foi detido com mais duas pessoas, sob acusação de tentar seqüestrar uma suposta usuária de drogas, na rua Maestro Cardim, região da avenida Paulista (área central da cidade).
| 09.ago.2000/Folha Imagem |
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| Rafael Ilha, ex-vocalista do grupo Polegar, preso em São Paulo |
Segundo testemunhas, a mulher --identificada como Karina-- gritava e se debatia para não entrar no carro de Ilha, uma picape Toyota Hilux com vidros escuros. Um homem e uma suposta enfermeira teriam empurrado Karina para dentro do carro.
A polícia informou que no veículo havia uma camiseta do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) com seu nome, injeções com substâncias dopantes e equipamentos de imobilização.
O cantor foi preso em flagrante e deverá responder pelos crimes de tentativa de seqüestro, formação de quadrilha e usurpação de função pública. A pena pode variar de multas a prisão de até oito anos.
Após a prisão do ex-Polegar, Karina disse à polícia estar disposta a fazer exame toxicológico. Ela foi levada ao IML (Instituto Médico Legal) para tentar comprovar que não é usuária de drogas.
Outro lado
Segundo o advogado José Vanderlei Santos, Ilha atendia a uma solicitação de um ex-paciente de sua clínica. "Esse paciente disse que a ex-mulher tinha problema com drogas e que queria restaurá-la", afirmou o advogado.
O homem, que vive em Macapá (AP), teria indicado o endereço da ex-mulher a Ilha, que foi visitá-la. "Ele [Ilha] esteve lá para tentar conversar com a moça. Ela, não sei por qual motivo, teve um ataque de histeria. O Rafael queria saber se ela estava querendo ser tratada, mas ela não quis conversar", defende Santos.
Ilha disse, segundo o advogado, que jamais pensou em levar a mulher à força. "Na clínica só há uma possibilidade para a pessoa ser tratada: ela tem de ir voluntariamente", contou o defensor do ex-cantor.
Sobre a camiseta do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) encontrada com o suspeito, Santos diz que Ilha não a vestia no momento em que abordou a moça. "A roupa estava no carro. Esta camiseta ele ganhou de presente." O advogado, no entanto, não soube dizer de quem Ilha recebeu a vestimenta.
A defesa afirma ainda que o ex-Polegar não teria como ser confundido com um agente do Denarc. "Ele é conhecido por todos. É uma figura pública." Além disso, Ilha conhecia a mulher, pois ela já havia estado em sua clínica quando da internação do ex-marido, de acordo com o advogado.
Santos também disse que as injeções de substâncias dopantes e equipamentos de imobilização encontrados no carro de seu cliente não têm a ver com o caso. "Foi uma grande coincidência", disse. "O Rafael mantém esse material para tratar pacientes que entram em crise."
O advogado acrescentou que as injeções são usadas apenas com o consentimento do paciente. "O material estava intacto, não seria usado na mulher."
Na manhã desta quarta-feira, Ilha permanecia detido no 2º DP (Bom Retiro).
Ex-polegar
Conhecido pelo sucesso com o grupo Polegar na década de 80, Rafael Ilha foi preso em setembro de 1998 quando tentava roubar um vale-transporte e R$ 1 de uma balconista. Dois anos depois, ele voltou a ser detido por porte de drogas --estava com dois papelotes de cocaína.
Em setembro do ano passado, o cantor foi preso na zona norte de São Paulo após perseguir um ex-interno na clínica. Ilha informou à polícia ter sido agredido por Marcos Nojiri, 30, após tentar convencê-lo a retornar para a clínica de tratamento onde o rapaz esteve internado.
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