Laudo mostra que estudante foi morto à queima-roupa em Ipanema
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Laudo da polícia revelou que o tiro que atingiu o estudante Daniel Duque, 18, durante confusão na saída de uma boate em Ipanema (zona sul do Rio), foi feito à queima-roupa pelo policial militar Marcos Parreira, que fazia a segurança do filho de uma promotora de Justiça. Duque morreu após ser baleado pelo PM, na madrugada do último sábado (28).
Para o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, o laudo mostra um provável despreparo e excesso por parte do policial. "Da maneira e da proximidade com que foi dado o tiro, acho que foi um despreparo, um excesso [do policial], mas o que vai deixar isso bem claro são os laudos, os procedimentos judiciais que estão sendo feito", disse Beltrame na manhã desta quarta-feira.
De acordo com o diretor de polícia da capital, Sérgio Caldas, o laudo pericial concluiu que o tiro que atingiu Duque foi "à curtíssima distância". "O laudo consta que a causa da morte [de Daniel Duque] foi o tiro mesmo, que entrou na altura da axila. O tiro foi à curtíssima distância, porque ele tem elementos de pólvora, que mostram isso".
Duque foi baleado em uma briga na saída da boate Baronneti pelo policial militar Marcos Parreira, que fazia a segurança do filho da promotora Márcia Velasco. A polícia ainda investiga se ele e o filho da promotora, Pedro Velasco, tiveram participação na briga.
Amigos de Pedro Velasco contaram em depoimento prestado à 14ª Delegacia (Leblon), no sábado, que o policial deu dois tiros para o alto para tentar defendê-los de um grupo de jovens que tentavam agredi-los. O terceiro disparo, que atingiu e matou o estudante Daniel Duque, foi feito acidentalmente por Parreira segurança quando o suposto grupo de agressores tentava tirar a arma do policial, segundo relato do estudante Bruno Monteiro Leite, amigo de Pedro Velasco.
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