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Cotidiano
02/07/2008 - 19h43

Governo federal conclui investigação sobre mortes do morro da Providência

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O governo federal apresentará na quinta-feira (3) o relatório final das investigações que realizou sobre o caso dos três jovens do morro da Providência (centro do Rio) mortos após serem entregues por militares a traficantes do morro da Mineira (centro). O relatório foi feito por uma comissão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência, que foi ao Rio para apurar o caso.

O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) vai apresentar o relatório em Brasília na manhã de quinta-feira (3), segundo a secretaria. Vannuchi esteve no Rio no último dia 20 junho de comissão constituída para apurar o caso, formada pelo presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, pela subprocuradora-geral da República Gilda Pereira de Carvalho e pela advogada Flávia Piovesan.

Na ocasião, Vannuchi, afirmou ver muitas contradições entre os relatos que ouviu de membros do Exército, dos moradores do morro da Providência e da Polícia Civil sobre o caso. "Ouvimos os relatos do delegado responsável pelo inquérito, de representantes do Exército e dos moradores e não há nenhum encaixe entre os relatos. A comissão agora tem a incumbência de voltar a ouvir com detalhes cada um dos depoimentos e submeter isso à comparação com as peças dos inquéritos", declarou o ministro.

Também na quinta-feira (3), a Justiça fará os primeiros depoimentos dos 11 militares acusados de terem entregado os jovens a traficantes do morro da Mineira. O tenente Vinícius Ghidetti --apontado como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes-- vai depor amanhã, além de Leandro Maia Bueno, José Ricardo Rodrigues de Araújo, Bruno Eduardo de Fátima, Renato de Oliveira Alves e Julio Almeida Ré.

Já na sexta-feira (4), prestarão depoimento Rafael Cunha da Costa Sá, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi dos Santos, Samuel de Souza Oliveira e Eduardo Pereira de Oliveira.

Crise

No último dia 14, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos pelos 11 militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio), ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico no morro da Providência. O Exército começou a ocupar a comunidade em dezembro de 2007, mas saiu semana passada por ordem da Justiça, depois da morte dos jovens e de denúncias de que os militares estariam exercendo funções de segurança pública e abusos de poder.

Os militares levaram os jovens para o quartel do Exército próximo à Providência, mas o capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem liberados. No entanto, o tenente Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes do morro da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário. Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime.

O caso abriu uma crise sobre a presença do Exército na comunidade. Na semana passada, a Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro. O governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. Na terça-feira (24), porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.

Traficantes do morro da Mineira suspeitos de terem matado os três jovens ainda não foram presos.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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