Cotidiano
03/07/2008 - 11h05

Pai e irmã de Nardoni prestam depoimento à Justiça sobre caso Isabella

Colaboração para a Folha Online

Continuam na tarde desta quinta-feira, no Fórum de Santana (zona norte de São Paulo), os depoimentos das testemunhas arroladas pela defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, 5, e acusados pela morte da menina, ocorrida em 29 de março. A garota foi jogada pela janela do sexto andar do edifício London, na zona norte, onde morava o casal. Entre os ouvidos nesta quinta estão a tia de Isabella, Cristiane Nardoni, e o avô paterno da menina, Antonio Nardoni.

Alexandre e Anna Carolina foram denunciados e cumprem prisão preventiva. Eles negam o crime. A pedido da defesa o casal não irá comparecer aos depoimentos.

Na quarta-feira (2), 14 pessoas foram ouvidas pelo juiz Maurício Fossen. Hoje, a partir das 13h, estão previstos outros 13 depoimentos. As testemunhas foram arroladas pelo advogado de defesa, Marco Polo Levorin, e dois advogados assistentes dele, Ricardo Martins e Rogério Neres de Sousa.

A maior parte das testemunhas ouvidas ontem eram ligadas à família do casal. Entre os que depuseram estavam parentes e amigos que relataram harmonia do casal e a possível falta de segurança no edifício London.

Além dos conhecidos dos réus, o jornalista da Folha Rogério Pagnan também foi arrolado pela defesa. Ele é autor de uma reportagem sobre o caso publicada no dia 10 de abril. Nela, um pedreiro que trabalhava em uma obra disse ter havido um arrombamento na casa, vizinha ao edifício London. À polícia, dias depois da entrevista, o operário negou ter prestado as declarações sobre a invasão da obra.

Segundo Levorin, os depoimentos de ontem "contribuíram para a busca da verdade". "Muitas informações foram levadas pelas testemunhas, como a de que a Cristiane [tia de Isabella] não disse num bar aquilo que foi noticiado por uma testemunha anônima", afirmou o defensor.

Na noite do crime, a tia de Isabella estava com amigos em um bar quando recebeu um telefonema sobre a morte da sobrinha. Na ocasião, um funcionário do bar teria ouvido Cristiane fazer comentários que poderiam incriminar o irmão dela.

Levorin voltou a dizer que as testemunhas ressaltaram o que ele considera a vulnerabilidade do edifício London.

Outras duas testemunhas serão ouvidas por carta precatória. Tratam-se da perita criminal Delma Gama e Narici, que será ouvida em Salvador (BA), e do legista George Sanguinetti, que deverá ser ouvido em Maceió (AL). Os dois foram contratados pela defesa para realizar uma vistoria no apartamento de Nardoni.

O advogado do casal também disse que, na segunda-feira (30), a defesa anexou os pareceres dos peritos ao processo. "Eles [Sanguinetti e Delma] questionam totalmente a avaliação realizada anteriormente [pelo Instituto de Criminalística]", disse Levorin.

Acusação

O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela acusação do casal, afirmou ontem que "nada de novo" foi apresentado nos depoimentos das testemunhas convocadas. "Nada mudou para a acusação", disse.

Cembranelli disse que a defesa procurou "mais uma vez desviar o foco do que interessa para determinadas figuras", e que "atira-se para todos os lados para ver se acerta em alguma coisa".

O promotor afirmou também que o fato de os 14 depoimentos terem sido realizados em cinco horas revela a irrelevância das testemunhas. Segundo o Tribunal de Justiça, houve depoimentos de dois minutos e muitos não passaram de 20 minutos.

 

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