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Cotidiano
03/07/2008 - 13h08

À CPI delegado aponta vereador e deputado como responsáveis por milícia no Rio

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online

O delegado Marcus Neves, da 35º Delegacia, Campo Grande (zona oeste do Rio), apontou o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) e o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), como os líderes do principal grupo miliciano do Rio. O delegado participa nesta quinta-feira de sessão da CPI da Assembléia Legislativa que investiga a atuação de milícias na capital fluminense.

A CPI foi aberta após uma equipe do jornal "O Dia" ter sido, segundo a polícia, torturada por integrantes de uma milícia da favela do Batan, onde a equipe realizava reportagem.

Neves, cuja área de atuação concentra o maior número de milícias do Rio, apresentou uma lista com 27 nomes de supostos membros do grupo denominado Liga da Justiça. O líder, de acordo com o delegado, é o vereador Jerominho, que está preso desde o ano passado. Ele e o deputado Natalino, que são irmãos, respondem por processo na Justiça por formação de quadrilha, coação de pessoas à prática de crimes e de planejar assassinatos que não ocorreram.

"Eles são a personificação da milícia que atua em Campo Grande", disse o delegado.

O deputado Natalino Guimarães não participa da sessão. Os advogados dos dois acusados não foram localizados para comentar as declarações de Neves.

Milícia

Segundo Neves, Guimarães e Jerominho chefiam um grupo que controla ilegalmente 90% da área de Campo Grande, um dos maiores bairros do Rio. Com atividades ilegais --como transporte alternativo, venda de gás e de pontos de TV a cabo--, o grupo lucra cerca de R$ 2 milhões mensalmente, de acordo com investigação da 35ª DP.

Atualmente, a delegacia tem 11 inquéritos abertos para investigar crimes cometidos por supostos milicianos na zona oeste. Na sessão da CPI, o delegado disse que a milícia começou a tomar o controle de áreas da zona oeste há cerca de oito anos para expulsar traficantes de drogas.

Hoje, segundo ele, não há nenhuma área de Campo Grande em que há atuação do tráfico. "Eles começaram cobrando só pela segurança, mas perceberam o lucro fácil da atividade. Daí começaram a se expandir e explorar outros serviços ilegais", disse o delegado-substituto da 35ª DP, Eduardo Soares.

Aproximadamente 50% dos milicianos são funcionários públicos, principalmente policiais militares, civis e até membros das Forças Armadas, de acordo com informações apresentadas pelos delegados.

"É um mal muito maior que o tráfico porque essas pessoas estão infiltradas no Poder Público, disse Neves.
O objetivo do presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSOL), é apontar para a Secretaria da Segurança os principais envolvidos em grupos de milícia e soluções para combatê-los.

 

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