Governo estuda pagar salário mínimo a famílias de jovens da Providência
RENATA GIRALDI,
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta quinta-feira que até amanhã entregará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de pagamento de indenização para as famílias dos três jovens do morro da Providência (região central do Rio) que foram mortos. Jobim afirmou que a idéia é pagar um salário mínimo a cada família, mas que a proposta deve ser submetida a aprovação na Câmara e no Senado por ser um projeto de lei.
Jobim não explicou se apenas um salário será pago ou se as famílias receberão mensalmente. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Defesa informou que o pagamento deve ser mensal, mas o prazo durante o qual ele será pago não está definido.
"Eu quero entregar [o texto do projeto] ao presidente da República ainda esta semana. Nós estamos fazendo o levantamento e está se pensando eventualmente em um salário mínimo", afirmou Jobim. Atualmente o valor do mínimo é de R$ 415.
No último dia 14, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos pelos 11 militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio), ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico no morro da Providência.
Os corpos dos jovens foram encontrados no dia seguinte com marcas de tiros e em um lixão em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Em depoimentos, o tenente Vinícius Ghidetti admitiu que entregou os três jovens a um grupo de traficantes adversários.
O assunto virou tema nesta quinta-feira de uma audiência conjunta de três comissões permanentes na Câmara - Relações Exteriores e Defesa Nacional, Direitos Humanos e Segurança Pública. Por cerca de três horas, Jobim tratou sobre a presença do Exército na área. Mais uma vez, o ministro defendeu a participação dos militares como meio de assegurar a realização de obras e a participação do Exército desde que tenha autorização judicial.
Jobim negou, porém, que a função dos militares seja de polícia ou segurança. Segundo o ministro, o objetivo dos militares em operações definidas por ele como "sociais" é de assegurar a realização do projeto.
"O ministro da Defesa assume com transparência e responsabilidade as obras [realizadas no morro da Providência]", disse ele. "[Quando houver autorização judicial] o Exército vai continuar com as obras."
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