08/12/2001
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08h45
da Folha de S.Paulo
As 42 famílias da comunidade de Urucureá, no rio Arapiuns, a três horas de barco de Santarém (Pará), não têm telefone, fax ou e-mail. No entanto, elas já incorporaram o atual conceito de comércio justo ("fair trade"), termo usado pela vanguarda dos movimentos internacionais que propõem a "globalização alternativa".
A comunidade, com forte tradição na confecção de cestas, criou uma associação, chamada de Núcleo Mulher Cabocla, para vender seus produtos a um preço justo e redistribuir os lucros de forma igualitária internamente.
O problema da Urucureá é o mesmo de centenas de cooperativas e associações criadas no país para combater o desemprego: ampliar a comercialização e distribuição dos produtos.
Distribuição
É para distribuir os produtos dessas cooperativas que foi lançada em São Paulo, na semana passada, a primeira organização não-governamental que trabalhará com o conceito de comércio justo voltado para artesanato e acessórios. Já existe uma iniciativa semelhante no setor de alimentos.
A ONG, a Associação Mundaréu, vai vender os produtos de dez cooperativas de vários lugares do país, entre eles São Paulo. Todo o lucro da venda será devolvido às comunidades. É como se elas fossem "atravessadoras voluntárias" -montam a logística de venda, mas não lucram com isso.
A geógrafa Mônica Rique, da ONG, trabalhou por três anos com cooperativas de todo o país. Ela afirma que a "principal dificuldade das cooperativas é a comercialização".
A socióloga Lizete Prata, coordenadora da ONG, explica que outra função será a de auxiliar as cooperativas que ainda não chegaram a um estágio maduro de produção a adequar o design e a qualidade do produto às exigências do mercado.
Qualidade
A assessora da comunidade de Urucureá, Valcléa dos Santos Lima, conta que, quando a associação foi criada, em 96, as famílias produziam cestas como se elas fossem ser usadas internamente.
Hoje, eles investem na qualidade e já fazem mochilas da palha da palmeira do Tucumã e até pasta para executivos.
O próximo desafio da comunidade é obter o Selo Verde, a certificação dos produtos "ecologicamente corretos".
ONG aposta no "comércio justo" em cidade do PA
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GABRIELA ATHIASda Folha de S.Paulo
As 42 famílias da comunidade de Urucureá, no rio Arapiuns, a três horas de barco de Santarém (Pará), não têm telefone, fax ou e-mail. No entanto, elas já incorporaram o atual conceito de comércio justo ("fair trade"), termo usado pela vanguarda dos movimentos internacionais que propõem a "globalização alternativa".
A comunidade, com forte tradição na confecção de cestas, criou uma associação, chamada de Núcleo Mulher Cabocla, para vender seus produtos a um preço justo e redistribuir os lucros de forma igualitária internamente.
O problema da Urucureá é o mesmo de centenas de cooperativas e associações criadas no país para combater o desemprego: ampliar a comercialização e distribuição dos produtos.
Distribuição
É para distribuir os produtos dessas cooperativas que foi lançada em São Paulo, na semana passada, a primeira organização não-governamental que trabalhará com o conceito de comércio justo voltado para artesanato e acessórios. Já existe uma iniciativa semelhante no setor de alimentos.
A ONG, a Associação Mundaréu, vai vender os produtos de dez cooperativas de vários lugares do país, entre eles São Paulo. Todo o lucro da venda será devolvido às comunidades. É como se elas fossem "atravessadoras voluntárias" -montam a logística de venda, mas não lucram com isso.
A geógrafa Mônica Rique, da ONG, trabalhou por três anos com cooperativas de todo o país. Ela afirma que a "principal dificuldade das cooperativas é a comercialização".
A socióloga Lizete Prata, coordenadora da ONG, explica que outra função será a de auxiliar as cooperativas que ainda não chegaram a um estágio maduro de produção a adequar o design e a qualidade do produto às exigências do mercado.
Qualidade
A assessora da comunidade de Urucureá, Valcléa dos Santos Lima, conta que, quando a associação foi criada, em 96, as famílias produziam cestas como se elas fossem ser usadas internamente.
Hoje, eles investem na qualidade e já fazem mochilas da palha da palmeira do Tucumã e até pasta para executivos.
O próximo desafio da comunidade é obter o Selo Verde, a certificação dos produtos "ecologicamente corretos".


