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Cotidiano
03/07/2008 - 19h07

Suposto elo entre militares e traficantes, sargento se contradiz em depoimento

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online

Apontado como o elo entre traficantes do morro da Mineira (centro do Rio) e os militares que atuavam no morro da Providência, o sargento Leandro Maia caiu em contradição durante depoimento ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcello Granado, nesta quinta-feira. Ele e mais dez militares são acusados de entregar três jovens do morro da Providência a traficantes do morro da Mineira. Os criminosos que controlam as duas comunidades são rivais, e os rapazes foram mortos. Maia negou manter ligações com os traficantes.

Inicialmente, o sargento disse que desceu do veículo do Exército --em que os militares levavam os jovens-- quando entraram no morro da Mineira para dizer aos traficantes do local que eles iriam retornar pois entraram em uma rua errada no morro.

Logo depois, Maia disse ao juiz que desceu para avisar aos traficantes que os rapazes seriam entregues a eles para que levassem uma surra dos criminosos.

O sargento salientou por várias vezes durante o depoimento que a idéia de levar os traficantes ao morro da Mineira partiu do tenente Vinícius Ghidetti, que prestou depoimento antes de Maia. O depoimento do oficial terminou por volta das 17h30 e durou cerca de duas horas.

O subordinado de Ghidetti disse que não concordou em levar os rapazes aos traficantes para que eles levassem um susto, mas teve de obedecer porque o tenente é seu oficial superior.

Maia afirmou ainda que viu quando o capitão Leandro Ferrari --responsável pelo quartel na noite do dia 14 de junho, quando os rapazes foram detidos--, saiu do veículo e deu autorização para que eles saíssem levando os rapazes do quartel. O sargento disse ter acreditado que a ordem de dar um susto nos rapazes teria também partido do capitão.

"O tenente não deixou explícito para nós que ia levar os jovens a traficantes. Tinha dito apenas que ia "pintar' o "CV' [sigla para Comando Vermelho, nome de uma facção criminosa] na testa e deixá-los na [avenida] Presidente Vargas", disse o sargento.

Segundo Maia, o tenente Ghidetti, após receber ordem do capitão de liberar os jovens, afirmou que queria dar um susto neles e, para isso, ia pintar as iniciais do CV em suas testas e depois amarrá-los.

Último encontro

No caminho para o morro da Mineira, segundo o sargento Maia, o grupo de militares encontrou com Lilian Gonzaga, mãe de Wellington Gonzaga Ferreira, 19, um dos rapazes mortos após ser entregue aos traficantes.

O sargento disse que, ao ver que o filho estava com os militares, ela discutiu com o filho e disse ao rapaz que "ele ia ver quando chegasse em casa".

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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