Policial que atirou contra jovem em Ipanema é indiciado por homicídio doloso
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O policial militar Marcos Parreira, que atirou no estudante Daniel Duque, 18, na saída de uma boate em Ipanema (zona sul do Rio), foi indiciado nesta quinta-feira pela Polícia Civil por homicídio doloso --quando há intenção de matar.
Parreira era segurança da promotora de Justiça Márcia Velasco e de sua família. No último dia 28, ele acompanhava o filho da promotora, Pedro Velasco, na boate Baronneti. Na saída, houve tumulto e início de uma briga envolvendo Pedro e seus amigos, e Parreira atirou para conter a confusão, segundo seu depoimento à polícia. Um dos tiros atingiu Duque, que morreu.
À polícia Parreira alegou que, por legítima defesa, atirou duas vezes para o alto e uma, acidentalmente, para o chão, atingindo o estudante. Mas a Polícia Civil entendeu que houve homicídio e que a alegação de legítima defesa está "afastada".
"Ele vai responder por homicídio doloso, mas, se ele agiu em legítima defesa ou não, é a Justiça que vai decidir", disse o delegado da 14ª DP (Leblon), Rafael Menezes.
O inquérito policial foi concluído nesta quinta-feira e será encaminhado ao Ministério Público Estadual.
Na quarta-feira (2), o laudo policial revelou que o tiro que atingiu o estudante foi disparado à queima-roupa pelo policial. De acordo com o diretor de polícia da capital, Sérgio Caldas, o laudo concluiu que o tiro que atingiu Duque, na axila, foi "à curtíssima distância".
Amigos de Pedro Velasco contaram em depoimento prestado à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon) no sábado (28) que o policial deu dois tiros para o alto para tentar defendê-los de um grupo de jovens que tentavam agredi-los. O terceiro disparo, que atingiu e matou o estudante, foi feito "acidentalmente" por Parreira quando o suposto grupo de agressores tentava tirar sua arma, segundo relato do estudante Bruno Monteiro Leite, amigo de Pedro.
Na segunda-feira (30), o Ministério Público abriu investigação própria sobre o caso e disse que pode rever a concessão de seguranças a promotores, como era o caso do policial. Parreira fazia a segurança da promotora há sete anos por causa de ameaças que ela recebia do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, denunciado pela promotora.
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