Clínica interditada de Rafael Ilha mantém 42 pacientes em Embu-Guaçu (SP)
LÍVIA SAMPAIO
do Agora
Interditada pela Prefeitura de Embu-Guaçu (Grande SP) há um mês, a casa terapêutica Ressurreição, do ex-integrante do grupo Polegar, Rafael Ilha, 35, ainda mantém 42 internos dependentes de drogas. A Secretaria Municipal da Saúde interditou o local após constatar que o tratamento oferecido era de clínica e não havia alvará para isso.
A prefeitura diz que, após a interdição, telefonou para familiares das 52 pessoas que estavam internadas à época, mas apenas seis decidiram deixar o local. "A maioria das famílias prefere evitar transtorno", afirma a secretária da Saúde, Maria Dalva Amim.
| Almeida Rocha/Folha Imagem |
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| Rafael Ilha deve responder por formação de quadrilha e usurpação de função pública |
Ilha, preso desde a última terça-feira, acusado de tentativa de seqüestro, tem até a próxima semana para entrar com recurso contra a interdição apresentando documentos que comprovem a atividade desenvolvida. Ontem, a reportagem esteve na clínica, mas os funcionários disseram não ter autorização para dar informações.
Junto com Ilha, foram presos, na Bela Vista (região central), a auxiliar de enfermagem Neusa Camargos Antunes, 42, que trabalha na Ressurreição, e o interno Cristiano da Silva e Andrade, 25, sob acusação de tentativa de seqüestro e formação de quadrilha. O ex-Polegar também é acusado de usurpação de função pública porque teria se identificado como policial do Denarc (departamento de narcóticos). Testemunhas relataram que eles tentaram levar à força para a clínica a esteticista e estudante de direito Karina Souza da Costa, 28, suposta usuária de drogas.
Na delegacia, Karina afirmou que Ilha foi até ela a mando do marido, que quer ficar com a guarda dos dois filhos. Ex-interno da clínica, Pedro José de Santana Vaz, 35, está com as crianças no Amapá. A mulher diz que nunca usou drogas e se ofereceu para exame toxicológico.
O advogado do trio preso, José Vanderlei dos Santos, entrou com pedido de habeas corpus anteontem e espera que a Justiça decida em favor de seus clientes hoje ou na segunda-feira. "Acredito que esses delitos não serão comprovados. Eles não queriam seqüestrar ninguém", diz o advogado. Sobre o fato de Ilha ter levado um interno da casa para o resgate de Karina, ele afirmou que o rapaz queria "apenas dar uma volta": "O moço [Andrade] achou que merecia um prêmio."
Ontem, a reportagem não conseguiu falar com Karina em seu apartamento, no Paraíso (zona sul de SP). O Agora também não localizou o marido dela no Amapá.
Após a prisão, ex-Polegar não será mais candidato a vereador pelo PTB, de acordo com nota oficial divulgada pelo partido ontem.
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