Cotidiano
04/07/2008 - 16h30

Pai de padre Carli viaja ao Rio para fazer exame de DNA

da Folha Online

Aurélio de Carli, 65, pai do padre Adelir Antônio de Carli, desaparecido desde o dia 20 de abril, viajará do Paraná ao Rio ainda neste fim de semana para fornecer o material que será utilizado no exame de DNA que identificará se os vestígios de um corpo encontrado em alto-mar são do pároco.

O Instituto Médico Legal de Macaé (RJ) informou que realizará o exame em parte de um corpo encontrado na tarde de quinta-feira (3) a 100 km da costa de Maricá. Há suspeitas de que o corpo seja do padre. Ele desapareceu enquanto tentava bater um recorde ao voar preso a balões de gás hélio.

Carli planejava ir de Paranaguá (litoral do Paraná) até Ponta Grossa. Os ventos e o mau tempo, no entanto, acabaram desviando Carli à costa catarinense.

Segundo um primo do padre, Sérgio, a família está emocionalmente abalada. Ele confirmou que o pai do pároco irá até o Rio com a finalidade de participar do exame.

Parte do corpo localizado ontem --do quadril para baixo-- foi resgatado por um navio rebocador que prestava serviço à Petrobras. A empresa não detalhou o tipo de roupa que a vítima usava.

Os restos mortais foram deixados às 3h20 desta sexta-feira no IML (Instituto Médico Legal) de Macaé, base mais próxima da empresa em terra firme, segundo a Petrobras.

Despojos

Segundo o médico Paulo Augusto Alves, chefe do IML de Macaé, o corpo passará por exame no Instituto de Genética Forense, no Rio.

Ele disse não ser possível identificar que tipo de roupa foi encontrada, pois ela já está em estado avançado de decomposição. "O que temos por ora são fragmentos e os pedaços de tecidos encontrados não têm relevância. O que pudemos perceber em exame preliminar é que o corpo estava há bastante tempo nas águas e se trata de um homem", afirmou.

A parte do corpo encontrada ficará custodiada no IML de Macaé até identificação. O exame de DNA deve ficar concluído em 30 dias, segundo Alves.

O caso foi registrado no 123º Distrito de Polícia Civil de Macaé. Segundo a Polícia Civil, o registro do boletim de ocorrência é de encontro de vestígios humanos, uma vez que ainda não é possível identificá-lo.

Repercussão

A notícia do encontro do vestígio e da possibilidade dele pertencer ao padre abalou religiosos de Paranaguá e de bombeiros de Penha.

Ernesto Lauro Klein, que participava das obras realizadas por de Carli na Pastoral do Caminhoneiro, em Paranaguá, informou que os religiosos estão abalados. Segundo disse, se confirmando que os vestígios são do padre, uma missa será realizada. 'Tínhamos sim a esperança de que ele ainda voltasse. Mas parece que é ele [padre]', disse Klein.

O comandante do Corpo de Bombeiros voluntários de Penha, Johny Eurico Coelho, afirmou que o clima no município é de tristeza. Os bombeiros voluntários foram os últimos a encerrar os resgates e as buscas pelo padre.

 

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