Militares viram jovem da Providência ser espancado sem reagir, dizem soldados
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O soldado Sidney de Oliveira Barros, um dos militares acusado a entregar jovens do morro da Providência (centro do Rio) a traficantes, confirmou que o grupo viu um dos rapazes da Providência ser espancado por um dos criminosos do morro da Mineira. Antes de Barros, que depôs à Justiça na noite desta sexta-feira, o soldado Rafael Costa Sá contou que também viu a agressão.
Apesar de ter presenciado o espancamento, na entrada do morro da Mineira, a tropa virou as costas aos rapazes e desceu "com pressa" da Mineira, disse Barros em depoimento.
O soldado alegou que não interveio na cena porque não imaginou que os jovens seriam mortos.
"Estava assustado, não pensei em nada. A situação [encontro com os traficantes] me pegou de surpresa, não sabia muito o que fazer. Depois que voltei [para o quartel] fiquei pensando na besteira que o tenente tinha feito".
O juiz Marcello Granado argumentou que os militares deveriam ter questionado o tenente Vinícius Ghidetti sobre a missão. "Se fosse eu, quando saltasse do carro ia perguntar saber o que aconteceu", disse o juiz.
Barros afirmou que teve medo de, ao relatar o caso a superiores, sofrer represálias e não vir a ser convocado para atuar na missão de paz no Haiti.
Ao chegar de volta no quartel, relatou Barros, o tenente disse aos demais militares: "Levei vocês 'pro barro'", mas pediu que ninguém comentasse o caso.
O soldado Sidney Barros disse ainda que o tenente "estava rindo o tempo todo" e confirmou que ele disse, "bem alto", que os três jovens eram um "presentinho" para os traficantes.
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