Beltrame admite que ação da PM que terminou com menino baleado foi desastrosa
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, chamou de "desastrosa" a ação de dois policiais militares que terminou com o menino João Roberto Amaral, 3, baleado. A criança foi atingida durante perseguição a bandidos, na noite de domingo (6). Em entrevista concedida na tarde desta segunda-feira, o secretário ainda pediu desculpas aos familiares do garoto, que teve morte cerebral confirmada pela manhã.
Beltrame afirmou que "um fato como esse não tem desculpa", mas ponderou que os policiais que atuam no bairro da Tijuca estão sob constante tensão. "O policial que sai para a rua em um domingo a noite em uma zona que tem 19 morros já sai preparado, vigilante." Para o secretário, faltou "treinamento, raciocínio, análise de critério."
O secretário anunciou hoje que a Secretaria Estadual da Segurança Pública irá inaugurar uma espécie de universidade para formação de policiais na terça-feira (8).
O crime aconteceu na noite de domingo. Segundo a mãe do menino, dois PMs atiraram contra o carro em que ela e o filho estavam. O carro tem cerca de 20 perfurações. Testemunhas disseram que os tiros foram disparados pelos policiais, que teriam confundido o veículo da mãe da criança com o de supostos ladrões de carro.
Beltrame afirmou que a explicação "não é suficiente". Entretanto, ele evitou analisar se os PMs deveriam ter atirado.
Os dois PMs suspeitos estão presos administrativamente no 6º Batalhão (Tijuca), onde estão lotados. Os dois devem ficar reclusos por 72 horas, a partir desta segunda.
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