Policial que atirou em jovem em Ipanema é denunciado por homicídio
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O Ministério Público Estadual do Rio ofereceu nesta segunda-feira denúncia (acusação formal) à Justiça contra o policial militar que matou o estudante Daniel Duque, 18, em Ipanema (zona sul do Rio), no dia 28 de junho. O policial Marcos Parreira fazia a segurança do filho de uma promotora de Justiça na saída da boate Baronneti. Para apartar uma briga, Parreira fez dois disparos para o alto e um para o chão, que ele alega ter sido acidental, atingindo Duque. O estudante morreu.
O Ministério Público denunciou Parreira por homicídio com dolo eventual --quando o autor do delito assume o risco de morte ou lesão à vítima. Em depoimento à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), Parreira havia alegado legítima defesa. O caso será julgado pelo 3º Tribunal do Júri no Rio.
A interpretação do promotor Marcelo Monteiro, autor da denúncia, segue o inquérito policial, que conclui, no último dia 3, ter havido homicídio doloso (com intenção). O laudo do IML (Instituto Médico Legal) revelou que o tiro que atingiu o estudante foi feito à queima-roupa pelo policial. De acordo com o diretor de polícia da capital, Sérgio Caldas, o laudo concluiu que o tiro que atingiu Duque, na axila, foi "à curtíssima distância".
Amigos de Pedro Velasco, filho da promotora Márcia Velasco, contaram em depoimento prestado à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon) no dia do crime que o policial deu dois tiros para o alto para tentar defendê-los de um grupo de jovens que tentavam agredi-los. O terceiro disparo, que atingiu e matou o estudante, foi feito "acidentalmente" por Parreira quando o suposto grupo de agressores tentava tirar a arma do policial, segundo relato do estudante Bruno Monteiro Leite, amigo de Pedro.
Dois dias após o crime, o Ministério Público abriu investigação própria sobre o caso e disse que pode rever a concessão de seguranças a promotores, como era o caso do policial. Parreira fazia a segurança da promotora há sete anos por causa de ameaças que a promotora recebia do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, contra quem ela atuou.
Leia mais
- Policial que atirou contra jovem em Ipanema é indiciado por homicídio doloso
- Promotora diz em carta que lamenta morte de jovem em Ipanema; leia íntegra
- Menino de 3 anos baleado durante ação da PM morre no Rio
- Beltrame admite que ação da PM que terminou com menino baleado foi desastrosa
Livraria da Folha
- Baseado em relatos de policiais, livro que gerou filme retrata a guerra urbana do Rio
- Saiba como o Comando Vermelho tomou conta dos morros do Rio
- Criminalista mostra por que as prisões brasileiras falham; leia capítulo
- Livro mostra como a violência urbana no Brasil afeta seu dia-a-dia e aponta soluções
Especial


