Menino morto em ação da polícia no Rio será enterrado hoje; família doou órgãos
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O corpo do menino João Roberto Amaral, 3, baleado durante ação da Polícia Militar do Rio, será enterrado nesta terça-feira. Ele teve morte cerebral confirmada no fim da tarde de segunda-feira (7), e os aparelhos que mantinham seu coração batendo foram desligados às 20h10, com a presença da família. As córneas do menino foram doadas, de acordo com o hospital onde ele ficou internado.
| Reprodução |
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| O menino João Roberto Amaral (à esq.), 3, morto após ser metralhado em operação policial, em foto com o irmão |
João foi baleado na noite de domingo. Ele estava com a mãe, Alessandra Amaral, e o irmão de nove meses quando o veículo da família foi atingido pelos tiros, na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca (zona norte).
Policiais disseram que perseguiam assaltantes de carro quando houve o tiroteio. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, admitiu que policiais confundiram os veículos e atiraram contra o automóvel onde estava a criança.
O comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Gilson Pitta, afirmou ontem, por meio de nota, que os "maus policiais" da corporação "responderão por seus atos". Disse que está solidário aos familiares de João e de "vítimas recentes de ações policiais" no Rio. Ele também alertou aos policiais do Rio a cumprir "os cuidados fundamentais e sedimentados por anos de boa prática em abordagem de pessoas, de veículos e também no emprego de armas de fogo".
Treinamento
Na tarde desta terça-feira, Beltrame vai inaugurar a Universidade da Polícia do Rio, um centro para preparar melhor os policiais. Ontem, o secretário chamou de "infeliz coincidência" a inauguração do centro para treinar melhor policiais no dia seguinte a um episódio que, segundo ele, revelou a falta de preparo de dois policiais militares. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também participará da cerimônia.
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