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Cotidiano
09/07/2008 - 11h02

Justiça decreta prisão temporária de PMs envolvidos em morte de menino no Rio

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Justiça do Rio decretou a prisão temporária dos dois policiais envolvidos na morte de João Roberto Amorim, 3. O menino foi atingido por tiros na noite de domingo, durante ação da PM, e morreu na segunda-feira (7). O cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto ficarão presos pelos próximos 30 dias, de acordo com a decisão.

João Roberto foi baleado quando estava dentro do carro da mãe, Alessandra Amorim, na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca (zona norte). Após ser ultrapassada pelo carro de supostos assaltantes, a mãe do menino encostou o carro para dar passagem ao veículo da polícia. Mas os policiais confundiram o carro dela com o dos suspeitos, segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, e dispararam contra o veículo.

A prisão dos policiais foi decretada na madrugada desta quarta-feira pelo juiz Ricardo Rocha, do plantão judiciário. Rocha acatou pedido que havia sido feito ontem pelo Ministério Público Estadual, após o delegado William de Oliveira, que investiga o caso, indiciar os dois PMs por homicídio doloso (com intenção).

O cabo e o soldado já estavam presos administrativamente desde segunda-feira (7), mas o prazo terminaria nesta quarta. Com a decisão da Justiça, eles foram transferidos para o batalhão prisional da PM, em São Cristóvão (zona norte), de acordo com Polícia Militar.

João Roberto foi enterrado ontem no cemitério do Caju (zona norte). Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro.

Expulsos

Também na terça (8), o governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que os dois policiais serão expulsos da Polícia Militar. Cabral definiu o caso como "uma atrocidade, um erro fatal, uma completa incapacidade de discernimento".

"Não é possível atirar em um veículo fechado, sair alvejando um veículo assim. A ação foi completamente fora da orientação dada pelo comando da polícia. Estão fora da PM, não tem conversa, uma família foi metralhada. E vão para fora quantos forem necessários, seja extorquindo, seja matando inocentes. São dois assassinos", disse.

 

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