Publicidade

Cotidiano
09/07/2008 - 19h29

Justiça manda soltar três dos 11 militares que entregaram jovens a traficantes

Publicidade

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira que três dos 11 militares acusados de entregar três jovens do morro da Providência (centro do Rio) a traficantes do morro da Mineira (centro) sejam soltos. O sargento Bruno Eduardo de Fátima, o cabo Samuel de Souza Oliveira e o soldado Eduardo Pereira de Oliveira tiveram o pedido de prisão preventiva revogados pelo juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Na sentença, Granado argumenta que os depoimentos prestados pelos militares na semana passada deixaram mais claro que os três não tiveram participação no crime. O Exército ainda não informou se os três já foram soltos. Eles e outros oito militares --que continuam a cumprir prisão preventiva-- são mantidos, desde o dia 15 de junho, no Batalhão de Polícia do Exército, no bairro da Tijuca (zona norte).

Oliveira e Bruno não estavam no morro da Providência no momento em que os três jovens foram detidos, no entendimento do juiz. Eles se juntaram ao grupo no quartel do Exército, no bairro do Santo Cristo (centro), onde faziam plantão. Já Samuel, para Granado, não teve participação na detenção dos jovens no alto do morro, apesar de ter presenciado o momento da entrega dos rapazes aos traficantes.

Os três militares que tiveram a liberdade concedida pela Justiça alegaram, durante depoimento prestado ao juiz na semana passada, que embarcaram no veículo que levou os jovens ao morro da Mineira por ordem do tenente Vinícius Ghidetti, acusado de comandar a ação. Ghidetti, que foi o primeiro a depor, disse que queria dar um susto nos jovens e pediu aos traficantes para "só dar uma surra" nos três.

Já no morro da Mineira, no momento da entrega dos jovens aos traficantes, o juiz julgou que os militares libertados ficaram "em situação na qual não lhes era razoavelmente exigível comportamento diverso". Os três alegaram que ficaram perto do veículo e não dialogaram com os traficantes na hora em que os militares entregaram os moradores do morro da Providência.

Segundo a decisão, permanecem presos Ghidetti, Leandro Maia, Rafael Cunha da Costa Sá, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi dos Santos, Renato de Oliveira Alves, José Ricardo Rodrigues e Julio Almeida Ré.

Embora em liberdade, eles ainda respondem, com os outros oito militares, por triplo homicídio com três agravantes --motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.

Crime

No último dia 14, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos pelos 11 militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio), ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico na Providência.

O Exército começou a ocupar o morro da Providência em dezembro de 2007, mas saiu no último dia 25 por ordem da Justiça, depois da morte dos jovens e de denúncias de que os militares estariam exercendo funções de Segurança Pública e abusos de poder.

Os militares levaram os jovens para o quartel do Exército próximo à Providência, mas o capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem liberados. No entanto, o tenente Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário. Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime.

O caso abriu uma crise sobre a presença do Exército na comunidade. A Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro, e o governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. No dia 24, porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.

Traficantes do morro da Mineira suspeitos de terem matado os três jovens ainda não foram presos.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
avalie fechar
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
avalie fechar
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (432)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca