Pais de menino de 3 anos morto por PMs do Rio criticam ação da polícia
Colaboração para a Folha Online
Os pais do menino João Roberto Amorim, 3, morto no domingo (6) após ser baleado a Tijuca (zona norte do Rio), questionaram a atuação da Polícia Militar do Rio. A Justiça do Rio decretou na quarta-feira (9) a prisão temporária dos dois policiais envolvidos.
"Quem instruiu o soldado a atirar?", questionou o motorista de táxi Paulo Roberto Soares, pai do menino, em entrevista à apresentadora Ana Maria Braga, no programa "Mais Você", da Rede Globo. "Quero justiça, e não só isso: quero uma polícia melhor."
João Roberto foi baleado quando estava dentro do carro da mãe, Alessandra Amorim, na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca (zona norte). Após ser ultrapassada pelo carro de supostos assaltantes, a mãe do menino encostou o carro para dar passagem ao veículo da polícia. Mas os policiais confundiram o carro dela com o dos suspeitos, segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, e dispararam contra o veículo.
Com a voz embargada, o pai do garoto disse que luta agora por mudanças. "Do jeito que as coisas estão não podem continuar. A gente não pode viver com medo, não pode viver trancado em casa", afirmou.
Soares afirmou que punições contra os policiais que atiraram contra o carro onde estava sua família não será o bastante para aplacar sua dor. "Não é punição que nos trará conforto. Queremos mudança", disse.
A mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, muito emocionada, afirmou que não quer que seu filho se torne mais um na estatística da violência no Rio. "Não quero que meu filho seja mais um número." Ela disse, ainda, que "as desculpas do secretário [de Segurança, José Mariano Beltrame] não trarão meu filho de volta".
O taxista elogiou a ação de sua mulher, dizendo que ele é "uma heroína". "Escolhi muito bem essa mulher."
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