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Cotidiano
10/07/2008 - 09h34

Pais de menino de 3 anos morto por PMs do Rio criticam ação da polícia

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Colaboração para a Folha Online

Os pais do menino João Roberto Amorim, 3, morto no domingo (6) após ser baleado a Tijuca (zona norte do Rio), questionaram a atuação da Polícia Militar do Rio. A Justiça do Rio decretou na quarta-feira (9) a prisão temporária dos dois policiais envolvidos.

"Quem instruiu o soldado a atirar?", questionou o motorista de táxi Paulo Roberto Soares, pai do menino, em entrevista à apresentadora Ana Maria Braga, no programa "Mais Você", da Rede Globo. "Quero justiça, e não só isso: quero uma polícia melhor."

João Roberto foi baleado quando estava dentro do carro da mãe, Alessandra Amorim, na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca (zona norte). Após ser ultrapassada pelo carro de supostos assaltantes, a mãe do menino encostou o carro para dar passagem ao veículo da polícia. Mas os policiais confundiram o carro dela com o dos suspeitos, segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, e dispararam contra o veículo.

Com a voz embargada, o pai do garoto disse que luta agora por mudanças. "Do jeito que as coisas estão não podem continuar. A gente não pode viver com medo, não pode viver trancado em casa", afirmou.

Soares afirmou que punições contra os policiais que atiraram contra o carro onde estava sua família não será o bastante para aplacar sua dor. "Não é punição que nos trará conforto. Queremos mudança", disse.

A mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, muito emocionada, afirmou que não quer que seu filho se torne mais um na estatística da violência no Rio. "Não quero que meu filho seja mais um número." Ela disse, ainda, que "as desculpas do secretário [de Segurança, José Mariano Beltrame] não trarão meu filho de volta".

O taxista elogiou a ação de sua mulher, dizendo que ele é "uma heroína". "Escolhi muito bem essa mulher."

Comentários dos leitores
O Brasil virou o país das epidemias, pondo em dúvida a maturidade com que reagimos às notícias. Antes, não sabíamos de nada, ficávamos a ver navios dos acontecimentos nacionais e os aproveitadores de nossa ignorância viviam em estado de graça. Agora, televisão, internet, jornais, rádio, celular e o que mais existe, tudo conta tudo que acontece no país. Nossa reação: repetir o que acontece, só para ter certeza de que aconteceu mesmo. A epidemia das epidemias começou com a Polícia Federal: depois do mensalão, seguindo ordens superiores, desencadeou a operação que prendeu Zuleido. Foi um tal sucesso, que a todo momento temos novas operações e ficamos imaginando se há policiais federais suficientes para operar tudo isto. Depois, veio a epidemia de andar na contramão. De repente, tivemos uma sucessão inacreditável de gente andando na contramão, coisa que nunca tinha acontecido. Agora, tragicamente, estamos com a pior epidemia de todas: a polícia assassinar crianças e vítimas de criminosos. Agora, nossa insegurança ficou patente: temos polícias e policiais soltos nas ruas das cidades sem a mínima condição de atuar responsavelmente. A cada dia que passa soma-se novo descrédito às polícias brasileiras. Há quanto tempo vivemos sob esse estado na mais ingênua ignorância? Não seria bom nossos governantes politicarem menos e olharem mais para a segurança deste povo que percebeu estar desprotegido, ameaçado pela ação dos criminosos e pela irresponsabilidade da polícia? 4 opiniões
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Que tal Beltrame mandar (não é pedir: ele comanda a polícia) que a polícia trate a população como gente, inclusive os favelados? Depois da infeliz entrevista de Cabral, é impossível acreditar que o governo do Rio tenha uma posição sensata sobre a segurança pública. Ele erra ao considerar que a questão é de sua própria autoridade. Não é! É uma questão social que só tende a se agravar enquanto não receber o tratamento devido. 5 opiniões
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A Associação de Medicina do Brasil precisa protestar junto ao governo federal, aos governos estaduais e ao Supremo contra as polícias do Brasil que estão, indevidamente, se atribuindo o direito de evitar a superpopulação do país. Polícia é polícia, fabricante de pílula antigravidez é fabricante de pílula antigravidez! 4 opiniões
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