Para delegado, policiais dispararam tiros que mataram menino João Roberto
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O delegado Walter de Oliveira, responsável pelas investigações sobre a morte de João Roberto Amorim, 3, baleado em suposta perseguição da Polícia Militar no Rio, disse nesta quinta-feira não ter mais dúvidas de que os tiros que mataram a criança partiu dos policiais militares. Para ele, está claro também que houve homicídio doloso --quando há intenção de matar-- por parte dos policiais.
"Eu não vejo se houve erro maior ou erro menor [por parte dos policiais], vejo se houve homicídio ou não. Nesse caso, é homicídio", disse. "Já tenho meu convencimento, tanto que o pedido de prisão temporária [dos policiais] foi baseado nisso".
Isso porque, até agora, segundo o delegado, nenhuma testemunha do caso afirma ter visto troca de tiros no local onde o carro da mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, estava no momento em que sofreu os disparos. Há ao menos 17 marcas de tiros no automóvel, segundo a polícia.
"Tem testemunhas que dizem que viram bandidos atirando, mas não confirmam a troca de tiros naquele local. No momento que o carro da vítima foi atingido, não houve troca de tiros", afirmou o delegado.
Oliveira aguarda, nesta quinta-feira, a conclusão da perícia sobre as marcas de tiros do carro da mãe de João Roberto, que poderá dizer de onde partiram os disparos. No entanto, o delegado se diz convencido que os tiros partiram dos policiais. "Não vejo essa possibilidade [ de os tiros terem partido dos criminosos], mas aguardo a posição do laudo pericial", disse.
Oliveira decidiu postergar as investigações sobre o caso para poder ouvir mais testemunhas e a mãe do menino, Alessandra Amorim. "Estou aguardando ela se livrar do trauma. Acho desumano chamar uma pessoa nessas circunstâncias", disse o delegado.
Crime
João Roberto foi baleado quando estava dentro do carro da mãe na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca (zona norte), na noite de domingo (6). Após ser ultrapassada pelo carro dos supostos assaltantes, a mãe do menino havia encostado o carro para dar passagem aos policiais. Mas os PMs confundiram o veículo dela com o dos supostos criminosos, segundo o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. O secretário pediu desculpas à família, chamou de desastrosa a ação dos policiais e admitiu que falta preparo na polícia do Rio.
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