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Cotidiano
11/07/2008 - 09h35

Um ano após acidente, parquinho da TAM revolta familiares

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VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
da Folha de S.Paulo

A uma semana de o acidente com o Airbus-A320 da TAM completar um ano --o maior da história da aviação brasileira e que deixou 199 mortos--, um parquinho de diversões (que inclui até uma aeromoça de verdade, com crachá e uniforme) montado pela empresa aérea num shopping da região central de São Paulo tem causado revolta entre os familiares das vítimas.

Num espaço de 120 m2 no átrio do shopping Pátio Higienópolis, o playground tem uma réplica de avião, nove birutas, dois simuladores de vôo, uma piscina de bolinhas, uma torre de controle, dois manetes, duas alavancas, dois painéis de vôo e um piso que imita nuvens e um céu azul.

Filipe Redondo/Folha Imagem
Parquinho da TAM em shopping de São Paulo revolta familiares de vítimas de acidente que completa um ano semana que vem
Parquinho da TAM em shopping de São Paulo revolta familiares de vítimas de acidente que completa um ano semana que vem

"É uma insensibilidade. Esse brinquedinho é só mais uma demonstração de que, para a TAM, as vítimas não são pessoas, são números", diz Roberto Gomes, irmão da vítima Mário Gomes, de Porto Alegre. Presidente da Afavitam (Associação dos Familiares de Vítimas da TAM), Dário Scott diz que "o problema [da ação de marketing] é o momento".

"É mesmo uma falta de sensibilidade fazer uma área de lazer com avião no mês em que o acidente completa um ano. Os familiares estão passando penosamente por essa data, não é fácil. A filosofia deles é que nada substitui o lucro. Só espero que no simulador das crianças funcione o reversor e funcione tudo", afirma Scott, que perdeu a filha Thaís no acidente aéreo.

Outro lado

Em nota, a TAM informa que "a intenção da companhia é oferecer às crianças atividades didáticas e lúdicas relacionadas ao mundo da aviação".

"A TAM entende os sentimentos dos familiares das vítimas do vôo 3054, mas discorda de que há nessa ação de marketing qualquer tipo de desrespeito. A ação acontece em julho porque é mês de férias escolares", diz o texto. O Pátio Higienópolis diz que apenas abrigou o evento.

Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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