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Cotidiano
11/07/2008 - 13h00

Comissão de Segurança da Câmara investiga mortes em morro do Rio

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Colaboração para a Folha Online, no Rio

Deputados federais que integram a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados estão no Rio nesta sexta-feira para apurar a morte dos três jovens do morro da Providência entregues a traficantes por militares do Exército que ocupavam a favela.

Os deputados --Raul Jungmann (PPS), Antonio Carlos Biscaia (PT), Hugo Leal (PSC), Jair Bolsonaro (PP), Marcelo Itagiba (PMDB) e Neilton Mulin (PR)-- se reúnem com representantes dos moradores da Providência na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Eles ouvem queixas dos moradores sobre o período em que o Exército permaneceu na favela, até o dia 24 de junho.

As mães dos jovens mortos são esperadas na reunião e, segundo os moradores, devem ser encontrar no início da tarde com os deputados.

Pela manhã, os integrantes da comissão da Câmara tiveram audiência no Ministério Público do Rio, e, nesta tarde, irão à Procuradora Geral da República no Rio, que denunciou os 11 militares por triplo homicídio triplamente qualificado --motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.

O objetivo das visitas, de acordo com a comissão, é conhecer as investigações em curso sobre o caso e ouvir os relatos de familiares e testemunhas. Os deputados vão elaborar um relatório sobre o crime, conforme anunciou Jungmann em visita ao Rio no dia 18 de junho, quatro dias após o desaparecimento dos jovens da Providência.

Na ocasião, o deputado afirmou que o Congresso Nacional tinha parcela de culpa no caso, por ainda não ter aprovado uma regulamentação do uso das Forças Armadas em casos pontuais, como era a ocupação na Providência.

Na quinta-feira (10), funcionários informaram que interromperam, por falta de verbas, as obras do Cimento Social --projeto do governo federal no morro da Providência. O Exército ocupava a favela para garantir a segurança das obras, que visam reformar cerca de 700 casas. Desde que a Justiça determinou a interrupção das obras, os funcionários tocavam os trabalhos em regime de mutirão. Na quarta-feira (9), contudo, o material acabou, e as obras estão suspensas, segundo os funcionários.

Crime

No dia 14 de junho, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos pelos 11 militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio), ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico na Providência. O Exército começou a ocupar o morro da Providência em dezembro de 2007, mas saiu no último dia 25 por ordem da Justiça, depois da morte dos jovens e de denúncias de que os militares estariam exercendo funções de Segurança Pública e abusos de poder.

Os militares levaram os jovens para o quartel do Exército próximo à Providência, mas o capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem liberados. No entanto, o tenente Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário. Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime.

O caso abriu uma crise sobre a presença do Exército na comunidade. A Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro, e o governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. No dia 24 de junho, porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.

Traficantes do morro da Mineira suspeitos de terem matado os três jovens ainda não foram presos. Dos 11 militares, três foram soltos por determinação da Justiça, e oito permanecem presos no Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte do Rio).

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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