Subprefeito exonera funcionários suspeitos de manter máfia dos fiscais
da Folha Online
O subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, anunciou nesta sexta-feira que irá exonerar os cinco funcionários da subprefeitura suspeitos de envolvimento com a máfia de cobrança de propina de camelôs de São Paulo desmontada em operação da Polícia Civil. No total, 11 pessoas estão presas e duas, foragidas.
Odloak afirmou que não irá esperar pelo término das investigações pois "perdeu a confiança" nos funcionários. Disse ainda que a punição dos suspeitos serve de exemplo para os demais. "É boa a penalidade para que outros agentes que venham à região lembrem-se de que aqui têm que agir com rigor."
De acordo com o subprefeito, em 2006, quando ele assumiu o cargo, havia 130 agentes de apoio atuando na fiscalização dos ambulantes. Hoje, são só 20. Ele admite que o número é insuficiente, mas alega que as dispensas foram necessárias e que troca equipes com outras subprefeituras sempre que "existe a oportunidade", para "evitar contato de longo prazo com a rua e os agentes da rua". "Eles [camelôs] cooptam mesmo."
O subprefeito afirma que, há cerca de um mês, um agente de apoio e um motorista foram presos em flagrante abordando um comerciante. "Dessa vez, não tínhamos a informação antecipada, por isso, aplaudimos a ação da polícia."
Cobrança
O esquema de arrecadação de propina foi denunciado há cerca de três meses por camelôs que se diziam cansados da cobrança. "A partir da denúncia descobrimos que duas grandes quadrilhas atuavam na Subprefeitura da Mooca", disse o promotor José Carlos Blat, responsável pelo caso.
Segundo a Polícia Civil, o líder da máfia era Georges Marcelo Eivazian, assistente técnico da Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da subprefeitura. Ele atuava, de acordo com as apurações, ao lado do irmão, Felipe Eivazian. Georges trabalha na gerência de unidades de fiscalização, e Felipe é chefe de uma dessas unidades.
De acordo com o promotor, o suposto grupo de Eivazian cobrava R$ 1.000 por semana a cada carrinho de comida na região do Brás, enquanto o grupo que seria liderado por Edson Alves Mosqueira, também funcionário da subprefeitura, cobrava de R$ 20 a R$ 30 por ambulante para que pudessem permanecer no local.
"Qualquer pessoa que quisesse explorar uma atividade informal nessas regiões era obrigado a entregar valores ilegais às quadrilhas, caso contrário não seria permitida a presença no local, e a mercadoria seria apreendida", afirma Blat.
Segundo o promotor, os presos responderão por crimes de concussão, formação de quadrilha e corrupção ativa.
Blat falou sobre a dificuldade de se investigar o tipo de crime cometido pelos fiscais. "O crime é simples, mas ninguém consegue combater pois há várias 'teias' na formação da quadrilha".
Segundo o promotor, o fiscal corrupto não "queima a mão" no crime. "Os fiscais mandam camelôs recolherem valores e não se submetem a qualquer tipo de investigação. Isso dificulta e muito. Além disso os camelôs têm medo de denunciar", afirmou Blat.
Para a Polícia Civil, as supostas quadrilhas arrecadavam entre R$ 500 mil e R$ 700 mil por mês. O delegado Luís Augusto Castilho Storni, responsável pelo caso, afirmou que os fiscais presos "apresentavam padrão de vida fora do que eles poderiam conseguir com o salário".
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