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Cotidiano
11/07/2008 - 19h12

Polícia prende 11 por suposto envolvimento em nova máfia dos fiscais em SP

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PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira 11 pessoas supostamente envolvidas em um esquema de arrecadação de propinas de camelôs em São Paulo. Dos presos, quatro são fiscais da Subprefeitura da Mooca e um é assessor.

O esquema, que foi denunciado há três meses por camelôs cansados de pagar propinas, era comandado por duas quadrilhas que atuavam na subprefeitura, afirma o Ministério Público. De acordo com o promotor José Carlos Blat, responsável pelo caso, um dos grupos era comandado por Georges Marcelo Eivazian, assistente técnico da Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da subprefeitura. Um outro grupo era comandado pelo fiscal Edson Alves Mosqueira.

"A quadrilha do Eivazian cobrava R$ 1.000 por semana a cada carrinho de comida na região do Brás. O bando do Edson cobrava de R$ 20 a R$ 30 por camelô para que eles pudessem permanecer no local", disse Blat.

Segundo o promotor, os fiscais envolvidos mandavam alguns ambulantes de sua confiança arrecadar a "semanada" com os colegas. Estes camelôs receberiam parte da verba arrecadada com a propina.

Se o ambulante se recusasse a pagar a quantia estipulada, receberia represálias. "Os fiscais não permitiriam sua presença no local e a mercadoria seria apreendida", afirmou.

"O crime é simples, mas ninguém consegue combater. O fiscal não se queima no crime", disse Blat. "O que também dificulta muito é que os camelôs têm medo de denunciar".

Segundo o delegado Luís Augusto Castilho Storni, responsável pelo caso, as quadrilhas arrecadavam entre R$ 500 mil e R$ 700 mil por mês com o esquema.

Para Blat, seria impossível alguém conseguir trabalhar como camelô na região do Brás e da Mooca sem lidar com estas organizações. "Qualquer pessoa que quisesse explorar uma atividade informal nas regiões do Brás e da Mooca seria obrigada a entregar valores ilegais às quadrilhas."

Além dos cinco funcionários da subprefeitura da Mooca, foram presos também cinco camelôs e um advogado. Eles irão responder por crimes de concussão, formação de quadrilha e corrupção passiva. Dois outros camelôs estão foragidos.

Os presos foram encaminhados ao 91º DP (Ceagesp). Durante toda tarde, nenhum representante dos suspeitos foi à delegacia. A reportagem não conseguiu confirmar se os presos têm advogado de defesa constituído.

Exoneração

O subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, anunciou que irá exonerar os funcionários da subprefeitura suspeitos de envolvimento com o esquema de propina. O subprefeito afirmou que não irá esperar pelo término das investigações pois "perdeu a confiança" nos funcionários.

Odloak disse ainda que a punição dos suspeitos serve de exemplo para os demais. "É boa a penalidade para que outros agentes que venham à região lembrem-se de que aqui têm que agir com rigor."

Histórico

Não seria a primeira vez que uma máfia recolhe propina dos ambulantes de São Paulo. Na gestão Celso Pitta (1996-2000), um escândalo revelou um esquema de cobrança a camelôs da região da Lapa (zona oeste de SP). Segundo a acusação, os fiscais pediam de R$ 700 a R$ 1.000 para emitir protocolos de permissão da atividade de ambulante naquele bairro. O esquema teria movimentado R$ 436 milhões.

Durante as investigações, foram presos os ex-vereadores Vicente Viscome, Hanna Garib e Maria Helena. Viscome teve a pena de 16 anos extinta a mando da Justiça, em 2007.

 

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