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Cotidiano
11/07/2008 - 19h49

Polícia do Rio recebe laudos sobre morte de menino João Roberto

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Polícia Civil terá acesso ainda nesta sexta-feira ao laudo do corpo de João Roberto Amorim, 3, baleado durante ação da Polícia Militar no Rio. O laudo é uma das últimas peças para o inquérito sobre o caso. O delegado Walter de Oliveira, responsável pelas investigações, disse não ter mais dúvidas de que os tiros que atingiram o garoto partiram dos dois policiais que perseguiam supostos assaltantes na noite de domingo (6), na Tijuca (zona norte do Rio).

A mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, havia encostado o carro para dar passagem aos policiais, que perseguiam supostos ladrões de carro na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca. Mas os dois policiais, segundo o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, confundiram o veículo com o dos assaltantes e dispararam contra ele, atingindo o menino na cabeça, que morreu no dia seguinte. Os dois policiais estão presos temporariamente.

Além do laudo cadavérico, o delegado também aguarda novos depoimentos para concluir as investigações. Entre eles, Oliveira disse que espera ouvir o porteiro do prédio em frente ao local do crime e a mãe de João Roberto. O delegado afirmou nesta sexta-feira que tentará ouvir a mãe do menino na semana que vem. "Posso até ir à casa dela ou em outro lugar que ela preferir".

A Polícia Militar concluiu hoje sindicância aberta para investigar a participação dos dois policiais no caso. A conclusão das investigações já está na delegacia da Tijuca, mas os resultados não haviam sido divulgados até o início da noite de hoje. Os dois policiais --o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto-- tiveram prisão temporária, de 30 dias, decretada na madrugada de quarta-feira (9) pelo juiz Ricardo Rocha, do plantão judiciário do Rio.

Ontem (10), o laudo da perícia feita nas marcas de tiro no carro da mãe de João Roberto concluiu que todos os disparos partiram dos policiais. Para o delegado Walter de Oliveira, que investiga o caso, os resultados deixaram claro ainda que não houve troca de tiros entre os policiais e supostos assaltantes quando João Roberto foi atingido. Em depoimento prestado à polícia no dia do crime, os policiais alegaram que atiraram em resposta a tiros disparados por supostos assaltantes que eles perseguiam.

Segundo o laudo, seis dos 17 tiros que atingiram o carro da mãe de João Roberto Seis entraram pela parte traseira do automóvel, e os outros 11, na lateral esquerda do carro. Todos eles, contudo, foram disparados por trás do veículo, onde estavam os policiais, segundo o delegado.

 

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