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Cotidiano
12/07/2008 - 17h18

Pais de João Roberto divulgam nota de agradecimento após missa de 7º dia

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da Folha de S.Paulo, no Rio

Pouco depois da missa de 7º dia em memória ao menino João Roberto, 3, morto por policiais militares no último dia 6, a mãe Alessandra Amorim Soares e o pai Paulo Roberto Soares divulgaram uma nota em que agradecem "aos familiares, amigos e à população em geral pelo respaldo emocional" e à imprensa, apesar de ainda estarem "sob efeito devastador da fatalidade que afligiu nossa família". A celebração aconteceu na manhã deste sábado.

Em uma nota curta e equilibrada, o casal também fez críticas: "João Roberto foi vítima de mais uma grave violência ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, durante uma operação policial, sem o direito primordial de defesa, nos revelando de forma gritante, entre outras deficiências, a fragilidade do preparo das instituições que deveriam nos proteger e assegurar nossos direitos individuais."

A missa reuniu 300 pessoas na Capela do Santíssimo Sacramento, na Catedral Metropolitana do Rio (centro). Enquanto a mãe manteve-se serena durante a maior parte do tempo, rezando com os olhos fechados, o pai, inconsolável, não conseguiu conter o choro, especialmente no começo da cerimônia.

Na saída da igreja, Alessandra não quis falar. O pai disse que ela está muito traumatizada. "Não sei como ela está conseguindo. Ela não pode ouvir um barulho, pode ser de uma porta ou de um carro, que se assusta."

Além de parentes e amigos, também estavam presentes familiares de outras vítimas da violência urbana, que aproveitaram a ocasião para manifestar sua contrariedade com a política de segurança do Governo Sérgio Cabral.

A família pretende organizar uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, no dia 29 de julho, data em que o menino completaria 4 anos de idade. "O importante é que cada um leve uma flor", disse Leila Márcia Pedro da Silva, prima da avó do menino.

Muito emocionado, Paulo Roberto disse que não queria mais fazer comentários sobre o caso. "Agora está na mão da Justiça (...) eu não tenho mais nada a falar sobre isso." "Meu filho ninguém vai trazer de volta, mas as pessoas não têm que perder seus filhos, ninguém tem que sofrer mais que eu. Eu era feliz e vou voltar a ser feliz. É isso que eu quero pra todos nós", disse o pai, e foi aplaudido.

 

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