Atendimentos de vítimas de trânsito em hospitais de SP caem com lei seca
da Folha Online
O número de atendimento a vítimas de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo no último final de semana (12 e 13 de julho) foi o mais baixo desde a implantação da lei seca, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde com base em dados dos três principais hospitais estaduais referência em trauma.
"Os números traduzem um efeito já claro da lei. Os paulistanos estão evitando ao máximo dirigir após tomar bebidas alcoólicas, e a conseqüência natural é a redução dos acidentes. O rigor da nova legislação está ajudando a salvar vidas", afirma o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.
Entre a última sexta, dia 11 de julho, e domingo, 13, foram registrados 44 atendimentos nos hospitais das Clínicas, Regional Sul e Mandaqui, contra 51 no final de semana anterior (dias 6 e 7), 92 entre os dias 27 e 29 de junho e 114 no primeiro final de semana de vigência da lei seca.
No Hospital Estadual do Mandaqui, principal e emergência da zona norte, foram atendidas no último final de semana apenas cinco ocorrências de trânsito, contra 15 no anterior, 42 entre os dias 27 e 29 de junho 45 entre os dias 20 e 22 de junho.
Já o Hospital Regional Sul, em Santo Amaro, zona sul da cidade, registrou 15 atendimentos neste fim de semana. O número é superior aos nove ocorridos no final de semana anterior, mas ainda inferior aos 26 atendimentos dos dias 27 a 29 de junho e os 36 no penúltimo final de semana de junho, primeiro da lei seca.
O Hospital das Clínicas realizou 24 atendimentos entre os dias 11 e 13 de julho, contra 27 no final de semana anterior, 24 nos dias 27 a 29 de junho e 33 no primeiro final de semana da lei. Nos dias 13 a 15 de junho, antes da vigência da nova legislação, o HC havia atendido 38 pessoas por acidente.
Lei Seca
A lei seca, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 19 de junho prevê maior rigor contra o motorista que ingerir bebidas alcoólicas.
O texto da lei, aprovado pela Câmara no início de junho, passa a considerar crime conduzir veículos com qualquer teor de álcool no organismo.
A punição para quem não cumprir a lei será considerada gravíssima e prevê suspensão da carteira de habilitação por um ano, além de multa de R$ 955 e retenção do veículo.
A suspensão por um ano do direito de dirigir é feita a partir de 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro (ou 2 dg de álcool por litro de sangue). Acima de 0,3 mg/l de álcool no ar expelido (ou 6 dg por litro de sangue), a punição inclui também a detenção do motorista (de seis meses a três anos).
Com a nova lei, o homicídio praticado por motorista deixa de ser culposo e passa a ser doloso (com intenção). A lei retira do Código de Trânsito Brasileiro o agravante para a pena de homicídio culposo (sem intenção de matar) por entender que dirigir sob efeito do álcool é crime.
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