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Cotidiano
15/07/2008 - 17h51

Cinegrafista flagra ação da PM que causou morte de administrador no Rio

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A ação da Polícia Militar do Rio que resultou na morte do administrador Luiz Carlos da Costa, 36, na noite de segunda-feira (14), foi flagrada por um cinegrafista do SBT. Costa, que havia sido rendido por um assaltante, foi baleado durante perseguição policial.

Veja as imagens da ação da PM que causou morte do administrador

Reprodução
Cinegrafista flagra ação da Polícia Militar do Rio que resultou em morte do administrador administrador Luiz Carlos da Costa, 36
Flagrante da ação da PM do Rio que resultou na morte de Luiz Carlos da Costa; a imagem mostra um PM pisando em Costa

As imagens mostram que os PMs envolvidos na ação arrastam o administrador, ainda vivo, pelo asfalto, e mexeram diversas vezes na cena do crime. Antes de as imagens serem divulgadas, a Polícia Militar concedeu entrevista e classificou a atitude dos policiais como correta e cautelosa.

O criminoso rendeu e entrou no carro de Costa por volta das 21h, na saída da Linha Amarela, em Bonsucesso (zona norte). Quatro PMs que ocupavam um veículo da corporação suspeitaram do carro e iniciaram uma perseguição. Os policiais atiraram e atingiram, além de Costa, o suposto seqüestrador, identificado como Jeferson dos Santos.

Costa, que trabalhava na área administrativa do parque gráfico da Infoglobo, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), chegou morto ao hospital. O suspeito, ferido no abdômen, foi internado em estado grave.

Imagens

A primeira cena das imagens captadas pela equipe do SBT que passava pelo local mostra os policiais saltando do carro e andando, com armas apontadas, em direção ao veículo onde estavam Costa e o suspeito, já atingidos pelos tiros.

Uma das armas dos policiais é uma pistola, que não consta nos armamentos apreendidos com os PMs na 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), que registrou o caso.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Peritos vistoriam carro onde estava o administrador Luiz Carlos Soares da Costa, morto durante perseguição policial no Rio
Peritos vistoriam carro onde estava o administrador Luiz Carlos Soares da Costa, morto durante perseguição policial no Rio

Ao chegar perto do carro, os policiais abrem as portas do motorista, onde estava Jeferson dos Santos, e do carona, onde estava Luiz Carlos da Costa. Um dos policiais puxa Santos pelos pés, para fora do veículo, e um outro faz a mesma coisa com o administrador Luiz Carlos da Costa, que chega a bater com as costas e a cabeça no chão ao ser puxado.

Um terceiro policial pega uma pistola que estava no chão e, segundo a 17ª DP, pertencia ao suposto criminoso, e a coloca no teto do carro, fazendo mais uma alteração na cena do crime.

Logo depois, um policial arrasta novamente Costa pelos pés, desta vez pelo asfalto, para afastá-lo do carro. Um outro PM chega a chutar o braço direito do administrador que, conforme captaram as imagens, ainda se mexe. Uma das cenas mostra também Costa respirando.

Quando uma van que, segundo a PM, era do Batalhão Prisional da Polícia Militar, chega para recolher os feridos, eles são carregados pelos pés e pelos braços até a traseira do veículo, com o qual são levados ao hospital de Bonsucesso. As imagens mostram ainda uma última alteração feita pelos policiais: um deles entra no carro de Luiz Carlos da Costa e dirige o veículo até um posto de gasolina próximo à cena do crime.

Após assistir às imagens, o tenente coronel Rogério Leitão, relações públicas da PM do Rio, disse que "a conduta não foi adequada" e está fora das normas da Polícia Militar. "Não é a maneira com a qual os policiais são orientados e treinados. Esses policiais vão ter que se explicar sobre isso".

Os quatro policiais --um soldados e três cabos, ainda não identificados-- foram mantidos desde a manhã desta terça-feira no 22º Batalhão de Polícia Militar (Maré), onde são lotados, mas não estavam presos, segundo a PM. Mas o relações públicas da corporação disse que, diante das imagens, os policiais devem ser punidos e podem ser expulsos da PM.

 

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