PF prende 8 suspeitos de sabotar apurações em SP; total soma 14
da Folha Online
Catorze pessoas foram presas nesta quarta-feira pela PF (Polícia Federal) sob a suspeita de integrar uma quadrilha que monitorava as investigações da corporação. Entre as prisões, oito ocorreram na cidade de São Paulo, uma em Osasco, uma em Atibaia, uma em Jundiaí e três em Varginha, em Minas. Três pessoas estão foragidas.
De acordo com a PF, o grupo contava com funcionários de cinco empresas de telefonia e de uma instituição financeira para captar grampos e contas e repassá-los aos investigados, tudo mediante pagamento. Segundo o delegado Alessandro Moretti, a quadrilha cobrava R$ 3.000 para varrer empresas telefônicas atrás de grampos e R$ 15 mil para manter uma escuta clandestina durante uma quinzena, por exemplo.
Os trabalhos são parte da operação Ferreiro, desencadeada por equipes de Minas e de São Paulo. Segundo a PF, a investigação começou há aproximadamente quatro meses, durante a operação Bicho Mineiro, que investigava empresários ligados ao comércio e à exportação de café. Eles eram suspeitos de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Para a operação desta quarta-feira foram emitidos 17 mandados de prisão, ao todo. Foram cumpridos ainda 28 mandados de busca e apreensão por meio dos quais foram apreendidas uma Mercedes e uma Ferrari, além de um aparelho de interceptação de celulares.
O delegado confirma que, em alguns casos, a atuação dos criminosos chegou a atrapalhar a PF. "A pessoa que sabe que está sendo investigada muda de comportamento. Deixa de falar ou fala o que não é verdade", observou o delegado.
Pelos crimes de quebra de sigilo bancário, interceptação telefônica e formação de quadrilha, os envolvidos podem receber penas de aproximadamente dez anos de prisão, segundo a PF.
O nome da operação é uma alusão ao pássaro chamado de ferreiro que também é conhecido como araponga, palavra que, na gíria policial, identifica detetives particulares.
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