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Cotidiano
17/07/2008 - 07h31

Familiares homenageiam os 199 mortos no acidente com vôo 3054; vizinhos lembram tragédia

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ÉBANO PIACENTINI
Colaboração para a Folha Online

Um ano após o maior acidente da história da aviação brasileira, a Afavitam (Associação dos Familiares das Vítimas da TAM - JJ3054) promove uma série de atividades em homenagem aos 199 mortos no desastre. Na noite de 17 de julho de 2007, ao tentar aterrissar, o Airbus-A320 da TAM passou direto por uma das pistas do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), atravessou a avenida Washington Luís, bateu contra um galpão da própria empresa e explodiu.

No terreno onde estava o galpão da TAM Express e que foi doado à Prefeitura de São Paulo, para a construção de uma praça ou memorial às vítimas, será feito um minuto de silencio no horário do acidente (18h48) em homenagem aos que perderam suas vidas.

No sábado (19), às 11h, será realizado um ato cívico na praça da Sé, no qual os familiares das vítimas levarão arranjos de flores ao altar. Após o gesto, o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer conduz uma missa. No domingo (20), na Sala São Paulo (praça Júlio Prestes, sem nº, bairro da Luz) acontece uma apresentação de um coral seguida de um ato de agradecimento às pessoas que se solidarizaram e ajudaram os familiares da vítimas. "Através da musica, o coral e orquestra Allegro estará homenageando a todos que se foram", diz a Afavitam.

17.07.2007 Roberto Assunção/Folha Imagem
Avião e galpão da TAM pegam fogo após aeronave da empresa sofrer um acidente ao tentar pousar em Congonhas (SP)
Avião e galpão da TAM pegam fogo após aeronave da empresa sofrer um acidente ao tentar pousar em Congonhas (SP)

Os familiares que integram a Afavitam querem que no local onde o avião da TAM explodiu seja erguido um memorial, e não uma praça, como pretendia a prefeitura. A reportagem da Folha Online visitou o local nesta quarta-feira (16) e observou que o terreno, embora em obras, permanece longe de se transformar em qualquer espaço público acabado.

Com cerca de uma dezena de operários, um caminhão da prefeitura e um trator, observa-se que por enquanto é executado o alinhamento do terreno, que permanece cercado por tapumes.

Relatos de vizinhos

Os vizinhos do local relatam que permanecem receosos em rememorar o assunto. A vendedora Kelly Nunes, que trabalha em uma loja na rua de trás do galpão da TAM Express, afirmou que conhece um funcionário do setor de cargas da TAM que sobreviveu. Segundo Nunes, ele estava na parte da frente, "como os outros que morreram, mas foi para os fundos pegar uma encomenda. Quando ouviu o impactou saiu pelo estacionamento antes da explosão". Doze funcionários da TAM que trabalhavam no galpão morreram na hora.

Valéria Sampaio, que também trabalha na loja de bolsas, diz ter amigos comissários de bordo, já que muitos moram ou se hospedam na região. Ela relata que na visão dos comissários, embora seja correta a idéia de que foi um conjunto de fatores que levou à tragédia --que incluem o mau tempo a pista molhada--, o consenso entre os comissários é de que o maior problema foi mecânico, já que um manete teria acelerado o avião na hora do pouso sem culpa do piloto.

Ébano Piacentini/Folha Imagem
Vista panorâmica do terreno doado pela TAM à Prefeitura de São PAulo para a construção de uma praça ou memorial
Vista panorâmica do terreno doado pela TAM à Prefeitura de São PAulo para a construção de uma praça ou memorial

"Apesar das reformas na pista, até hoje, nos dias de chuva, eles ficam com medo de pousar em Congonhas", diz.

Em maio, reportagem da Folha apurou que a Polícia Civil de São Paulo diz acreditar que o posicionamento errado do manete do avião causou o acidente.

De acordo com declarações da Polícia Civil, o IC (Instituto de Criminalística) deve entregar o laudo sobre o caso em meados do próximo mês de setembro. Depois, a polícia estima encerrar o inquérito em um mês. O documento irá, então, para o Ministério Público Estadual, responsável pela apresentação de uma denúncia (acusação formal) à Justiça.

Selma Teixeira, esteticista, lembra que não sabia para onde correr ao observar o avião colidindo com o galpão ao lado da empresa em que trabalha. "De repente, explodiu, e em seguida formou-se uma labareda de mais de 100 m de altura", diz.

Ela lembra que não conseguia respirar em virtude da nuvem de fumaça tóxica que se formou, e que tentou alertar os curiosos que se aglomeraram no local de que o posto de gasolina ao lado do galpão poderia, a exemplo do avião, explodir. "A fumaça era terrível, parecia aquelas cenas da guerra do Iraque".

O bombeiro Marcelo de Souza Ferreira voltou ao local um ano depois de ter combatido as chamas geradas pela explosão, que arderam por três dias ininterruptamente. "Nunca tinha trabalhado em uma tragédia deste tamanho, vieram equipes dos bombeiros de todos grupamentos da cidade para ajudar", lembra.

A reportagem localizou um casal que trabalha próximo ao local do acidente, um médico e uma empresária, que foram as primeiras pessoas a prestar socorro a vítimas do acidente. Ambos não quiseram falar sobre a noite do desastre. "Eles não querem lembrar do que viveram naquela noite terrível", disse a secretária Juliana.

Ébano Piacentini/Folha Imagem
Avião da TAM aterrisa nesta quarta-feira; registro foi feito a partir do local onde o Airbus-A320 se chocou com um galpão. No dia do acidente, os aviões pousavam em sentido contrário, devido às condições climáticas
Avião da TAM aterrisa nesta quarta-feira; registro foi feito a partir do local onde o Airbus-A320 se chocou com um galpão. No dia do acidente, os aviões pousavam em sentido contrário, devido às condições climáticas
 

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