Manifestantes colocam caixão e flores em guichê da TAM em Congonhas
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
Um caixão pequeno e branco, representando as 199 vítimas do acidente com o vôo 3054 da TAM, foi colocado em frente ao guichê da empresa no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) por familiares e amigos dos mortos, nesta quinta-feira. Um protesto foi realizado no terminal para lembrar um ano da tragédia, que ocorreu por volta das 18h48 de 17 de julho do ano passado. Um minuto de silêncio foi realizado no local do acidente e no aeroporto. Os nomes das 199 vítimas foram lidos durante o ato.
Os manifestantes jogaram flores sobre o caixão e tocaram o Hino Nacional. Depois, seguiram até o local do acidente --onde ficava o prédio da TAM Express-- e onde é realizado um ato multirreligioso. A passeata, que reuniu cerca de cem pessoas, ocupou uma faixa da avenida Washington Luís por alguns minutos. A Polícia Militar fechou parte da via para a passagem do grupo.
| Rubens Cavallari/Folha Imagem |
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| Familiares das vitimas do acidente com o vôo 3054 da TAM fazem ato no local da tragédia, que completou um ano nesta quinta |
Uma árvore sobreviveu à queda do avião no local onde ficava um depósito da TAM. Ela foi iluminada e enfeitada com fotos dos mortos no acidente para o ato de hoje. No local, os parentes pedem a construção de um memorial em memória das vítimas.
Lembranças
Osório Pereira, 65, médico, pai do executivo Guilherme Pereira, 38, morto no acidente, diz lembrar do filho todas as noites. Ele encontra conforto durante o sono. "O que nos traz conforto é a noite. Com a noite vem o sonho e no sonho eles estão lá", disse o pai da vítima.
Adriano Fleck, 25, economista, perdeu o irmão, o estudante de medicina Fernando Fleck, 21, e a avó Suely Fleck, 73. O rapaz embarcaria para São Paulo no dia anterior ao acidente, porém, esperou para saber sobre o resultado dos exames da faculdade, e partiu para São Paulo no vôo 3054 da TAM.
"Meus pais perderam o ânimo de viver. É difícil tocar a vida vendo meus pais assim", disse o economista.
Dalila Gonçalves, 61, do grupo das tricoteiras do Rio Grande do Sul, chegou a São Paulo naquela noite no vôo anterior ao 3054. "Cheguei em um avião antes. Presenciei o acidente, ouvi o estrondo e até fotografei. Pensava que era um avião de carga. Mas quando minhas amigas começaram a demorar para chegar percebi que aquele poderia ser o avião em que elas estavam", disse Dalila, emocionada.
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