Parentes prestam homenagens às vítimas do vôo 3054 e pedem justiça
ÉBANO PIACENTINI
Colaboração para a Folha Online
Durante o ato que marcou o aniversário da tragédia com o vôo 3054 da TAM, os parentes das 199 vítimas da tragédia trouxeram, além de um sentimento coletivo de homenagem aos mortos, suas histórias pessoais relacionadas ao acidente.
Às 18h48 de 17 de julho de 2007, o Airbus da TAM que fazia o vôo 3054 passou direto por uma das pistas do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), atravessou a avenida Washington Luís, bateu contra um galpão da própria empresa e explodiu.
Giselle Garcia, esposa de José Antônio Garcia, que era gerente geral de tráfego de cargas da TAM, conta que falou com seu marido após a explosão do Airbus A-320 por telefone. "Ele estava lá ajudando as pessoas feridas, no meio daquela fumaça tóxica".
Ela contou que seu marido foi levado para o hospital com vida, mas que morreu no dia 19 com problemas respiratórios. "Quando cheguei no hospital, o médico me informou que seu caso era grave. Meu marido foi o último a morrer, foi a vítima 199", lembra.
Tragédia anunciada
Giselle disse que veio ao ato, pois acredita que o acidente foi uma tragédia anunciada, já que, por suas conclusões, a culpa pelo acidente foi da falta de manutenção no avião pela TAM. A viúva afirma que as famílias esperam por justiça, e que isso só será alcançado com a sensibilização da opinião pública.
Giselle afirma que a pista molhada e lisa de Congonhas foi apenas um agravante na tragédia, mas que os registros da caixa preta e o relatório de um comandante da TAM sobre os problemas mecânicos da aeronave são as provas de que a empresa deve ser responsabilizada pelo acidente.
Ursula Schouenher (56) que perdeu sua filha, Silvia Andréa Grunewld, (36) nutricionista, afirma que sua filha estava indo para Belo Horizonte a trabalho, e que pediu a ela na segunda-feira (16 de julho de 2007) para cuidar de sua filha Valentina (5), pois não sabia quando ia voltar de sua viagem. Ela relata que na ocasião teve um pressentimento ruim e no dia seguinte não trabalhou à tarde. Às 19h10, viu em um telejornal que um acidente havia acontecido em São Paulo. Era o vôo 3054, em que estava sua filha, que pegaria outro vôo para BH no aeroporto de Congonhas.
Ursula sofre de depressão. A TAM paga a ela um psicólogo, mas não os medicamentos que ela toma diariamente que "são muito caros". Ela relata que sua família se desagregou após a morte de sua filha caçula. "Minha filha mais velha também tem depressão e já engordou 20 kg", diz. Ursula veio de Canoas, no Rio Grande do Sul, para se solidarizar com os outros familiares e pedir justiça.
Cléia Carvalho, trabalhadora do setor de aviação que participa dos protesto da Afavitam (Associação dos Familiares de Vítimas da TAM) desde o início, lembra que sua filha, Stefânia Carvalho Apuzzo, teve muita sorte: ela seria passageira do vôo 3054, mas adiantou sua passagem para o dia anterior, escapando da tragédia. Ela lembra que "nem todas as famílias foram indenizadas pela TAM".
A atriz Adriana Gatte, 39, que durante o protesto representava um anjo em homenagem às vítimas, diz acreditar que a união dos familiares trará justiça. "No Brasil, se você não se unir e protestar as coisas não mudam".
O terreno onde ficava o galpão da TAM Express foi doado à prefeitura para a construção de uma praça ou memorial às vítimas. Atualmente cercado por tapumes, o local recebeu na noite desta quinta um ato multireligioso que, segundo estimativas da Polícia Militar, reuniu 1.500 pessoas.
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